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Política e Pesquisa 348 Investimentos em energia: Brasil e China. Enquanto o Brasil aposta alto no petróleo do Pré-Sal, a China investe em energia solar. Matéria do UOl anuncia: “China investirá US$ 313 bilhões para impulsionar energias limpas. A China investirá US$ 313 bilhões para impulsionar a energia não poluente até 2015 e reduzir a emissão de carbono...” (http://noticias.uol.com.br/midiaglobal/lemonde/2011/11/24/china-e-estados-unidos-disputam-mercado-da-energia-solar-com-acusacoes-mutuas.jhtm). Apostas diferentes. Diferenças estratégicas. Será que o Pré-Sal nos converterá efetivamente em um país primário-exportador de vez? Como fazer para preservar capacidade industrial diversificada e não sucumbir à tentação do ouro negro? Os próximos anos serão cruciais para definir o perfil da economia brasileira: ou global player multiprodutivo ou primário-exportador. Eleições na Uesc . Está chegando ao fim os 8 anos da administração Joaquim, e sua vice, Adélia, aparece como favorita na sua sucessão. Contudo, a eleição em nossa universidade estadual guarda segredos inimagináveis para indivíduos não acostumados com fórmulas eleitorais sofisticadas. Salvo equívoco meu, convencionou-se que a democracia uesquiana é constituída por três entidades “iguais”: funcionários, os que vem decidindo as eleições, mais professores e estudantes. Cada entidade pesa igualmente no processo eleitoral, ou seja, um terço do peso, ou 33,33%. Na Uesc há uma obsessão por essa fórmula, em minha opinião, absurda, e há quem a defenda por ser a mais “democrática” (como se o sujeito de uma democracia fossem entidades e não pessoas), tanto é que vem sendo mantida como critério eleição após eleição. Na prática, nesta eleição, isto significa que quatro professores são necessários para equivaler, na urna, a um voto de um funcionário. Não que um funcionário não mereça, mas o estranho é que sejam necessários quatro professores para igualar esse voto. E como os funcionários tendem a votar corporativamente, decidiram as eleições passadas e vão decidir também esta eleição. Logo me dizem que isto também acontece em universidades federais. Verdade. Contudo, acontece que nas federais o número de funcionários tende a ser maior do que o de professores, por uma razão simples: elas têm hospitais universitários, que funcionam 24 horas por dia e 365 dias por ano, e empregam muitos funcionários. Quando nessas instituições é definido o critério da paridade entre as entidades, em realidade, busca-se dar aos funcionários um peso equivalente aos dos professores, em geral, em menor número nelas. Já em universidades como a Uesc, que não contam com esses hospitais, em que o número de funcionários equivale a 25% ao número de professores, a adoção dessa fórmula é um desrespeito aos professores. E entidades, abstrações, não podem ser mais importantes do que pessoas ou indivíduos. Enquanto isso, a campanha prossegue. Candidatos e suas comitivas de sala em sala, carros de som na entrada da universidade, faixas e adesivos, além de outdoor, ou seja, cada vez mais, fica mais parecida com campanhas de rua. Não há notícias de debates entre os candidatos, frente a frente, como nos velhos tempos. E estamos em uma universidade. O preço política da crise. A presente crise europeia vem fazendo suas vítimas políticas: os governos de plantão vem sendo batidos um a um pela mesma. Foram-se os governos do Reino Unido, da Holanda, da Irlanda, de Portugal, da Dinamarca e, no último final de semana, também da Espanha varreu o do socialista Zapatero. O eleitor está mandando para casa os governistas de plantão. Isto para não falar de Berlusconi, na Itália, e do ex-primeiro ministro grego. Como essa crise promete ser longa, nesse processo de resolver a crise por tentativa e erro do eleitor, haverá ainda muita dança nos governos desse continente. Essa situação em um regime não democrático, tenderia fortemente a uma tragédia, como nos referimos em uma inserção anterior. Essa é uma vantagem da democracia no plano da estabilidade política, flexibilidade. Mudanças de comando sem maiores traumas.
Escrito por Agenor Gasparetto às 18h05
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POLÍTICA E PESQUIS 347 Angela Merkel tentada para um terceiro mandato consecutivo Fosse em um regime presidencialista de cunho democrático, uma notícia como essa provocaria uma turbulência. Em um regime parlamentarista, faz parte da normalidade e não há questionamentos. Um governo bem sucedido na perspectiva dos cidadãos merece o poder tantos mandatos quando puder continuar merecendo a confiança dos mesmos. Soubessem disso Alberto Fujimori no Peru, Carlos Menen na Argentina, Álvaro Uribe na Colômbia, apenas para ficar nos que já passaram, é possível que a tentativa frustrada desses fosse outra, a de implantar o parlamentarismo e nesse, iriam tentar se reeleger tantas vezes quanto pudessem merecer a confiança de seus compatriotas. Nesse quesito, pontos para Lula que abdicou dessa pretensão no auge da popularidade. Nesse particular, um gesto de grandeza em um contexto em que não poucos torciam para algum lance nessa direção. . Vantagem das democracias. Em um sistema democrático, uma crise pode derrubar um governo (apenas para lembrar os casos grego e italiano com Berlusconi dos últimos dias) e a vida continua, ainda que não sem traumas no plano social. Contudo, no plano político, sai um e entra outro e a vida segue. Em um regime não democrático, em que o poder possui “donos”, uma crise tende a terminar em tragédia, ou com queda do déspota ou com o massacre dos opositores, ou com a combinação das duas situações em nuances e em proporções as mais variadas. A falta de flexibilidade desses regimes é uma imensa desvantagem em relação às democracias. Pesquisas eleitorais No momento, pesquisas eleitorais captam mais o passado, sobrevivência de lembranças passadas do que propriamente intenções futuras. Exceto num ponto, na rejeição. A rejeição captada vem do passado, seguramente, mas tenderá a se manter viva no futuro. Esse é o dado real das pesquisas neste momento do processo. Paul Krugman desmontando mitos na atual crise do Euro Primeiro mito: que a crise na Europa reflete o fracasso do estado de bem-estar social. Segundo: que a crise européia recomende a aplicação imediata de uma política de austeridade nos Estados Unidos. Para Krugman, ambos são falsos. Leia na íntegra o texto. http://noticias.uol.com.br/blogs-colunas/colunas-do-new-york-times/paul-krugman/2011/11/12/comentario-mitos-sobre-a-crise.jhtm O texto de Krugman fica mais claro quando se lê o mesmo tendo em mente um outro texto, de Eneas de Souza (http://sul21.com.br/jornal/2011/11/o-fracasso-politico-das-financas-e-do-g-20/), especialmente no mecanismo que joga as taxas de juros, no caso da Itália, por exemplo, a patamares cada vez mais altos em relação aos 3% da taxa de juro básica inicial. A análise desse mecanismo da elevação da taxa de juros a ser paga pelo país é o empurrão que o empurra para a beira do precipício ainda que atenda como “mão invisível” do mercado. No entanto, olhando-se com lentes, talvez essa “mão” não seja tão invisível assim. Obviamente, lá adiante essas mesmas mãos poderão dar um desconto quem sabe de até metade da dívida, como no caso da Grécia, mas não sem antes exaurir estado e sociedade, condenando-as por anos a perder de vista. Bom final de semana e boa leitura.
Escrito por Agenor Gasparetto às 22h26
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Política e Pesquisa 346 O jornalismo-urubu e a doença de Lula- A jornalista Maria Inês Nassif fez uma análise oportuna dos últimos episódios ligados a Lula e sua doença, na perspectiva do jornalismo e da democracia. Vale a pena ler as cinco regras de um bom jornalismo, apontadas a partir desses episódios. Para ler na íntegra http://sul21.com.br/jornal/2011/11/o-jornalismo-urubu-e-a-doenca-de-lula/ Presente de Grego ? O primeiro-ministro grego anunciou um referendo concernente a permanência ou não da Grécia na zona do Euro, provocou uma forte turbulência nos mercados financeiros e nas autoridades europeias e, diante das pressões, declarou-se disposto a retirar essa proposta. Provavelmente, ouvida, a sociedade grega poderia recusar permanecer dentro da zona do Euro, fazendo a dívida grega, agora reduzida a metade pelo último acordo, se converter num novo Cavalo de Troia para a comunidade europeia. A Grécia, apesar de representar pouco mais de 3% do PIB dessa comunidade, parecer ter dívida suficiente para produzir um efeito em cadeia, desestabilizando o conjunto das suas finanças, entrelaçadas até a alma. A realidade grega está, aos poucos, fazendo um ajuste de contas. A redução da dívida é uma concessão do sistema financeiro, diríamos, uma entrega de anéis para não perder a mão. É provável que uma vez exposta a equação que poderá encaminhar uma solução para o endividamento grego, outros países seguirão o mesmo caminho. Não o fazendo, o sistema financeiro (e o político que está ao seu serviço) poderá ser chantageado por um auscultamento das ruas e essas não parecem sussurar melodias aprazíveis. De qualquer forma, a sinalização de Papandreou, ainda primeiro-ministro grego de ouvir as ruas, assombrou os mercados e o staff político da comunidade europeia, fazendo ecos no G-20, impondo-se como pauta de suas sessões. As ruas tem recados que os representantes eleitos aqui e dirigentes vitalícios não eleitos acolá não parecem dispostos a ouvir. Estudantes na USP - Reivindicações fazem parte do jogo público em uma democracia. Contudo, não soa bem quando em seus ímpetos escondem os rostos. Esconder os rostos parece, à distância, um mau sinal. Lula e José de Alencar – Aproveitando que é mais um final de semana, repasso comentário ouvido em um café: “Acho que o câncer de Lula é o seu vice, José de Alencar, dizendo para ele: Lula, vem pra cá, que aqui tem uma missão pra você!” Incrível como essa doença impacta o imaginário das pessoas. Essa palavra tem o peso e a contundência de uma sentença no tribunal, digo, teatro, melhor, drama da vida.
Escrito por Agenor Gasparetto às 15h47
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política e pesquisa 345 Palestina entra para a Unesco e Estados Unidos cortam ajuda à Organização. Sem comentários.http://noticias.uol.com.br/ultimas-noticias/deutschewelle/2011/10/31/unesco-reconhece-palestina-e-sofre-boicote-dos-estados-unidos.jhtm E lembrar que Israel foi gestado, embalado e protegido em sua criação pela ONU. Bem que EUA e Israel poderiam dar à conturbada região uma paz passando pelo reconhecimento de um Estado palestino viável. A História segue surpreendendo Da AFP de hoje, 31 de outubro, uma notícia reveladora da dinâmica da realidade: a eleição do ex-guerrilheiro Gustavo Petro, para prefeito de Bogotá. A eleição, marca uma virada da opinião pública dessa capital, podendo favorecer processo de paz com forças guerrilheiras, mas deixou de sobressalto a direita do país. Segundo o prefeito eleito da capital colombiana, com mais de 7 milhões de pessoas, "Agradeço Bogotá, tanto aqueles que votaram em nós como os que votaram nos outros, buscando sempre entre todos o futuro melhor. Uma democracia não aniquila as minorias, mas as inclui", afirmou. http://noticias.uol.com.br/ultimas-noticias/afp/2011/10/31/eleicao-de-ex-guerrilheiro-em-bogota-marca-virada-na-opiniao-publica.jhtm A grandeza de um regime pode ser avaliado pelo tratamento dispensado às suas minorias. O futuro do livro “Leitura de obras digitais explode nos EUA”, é matéria do El País, por Jesús Ruiz Mantilla, em tradução de Luiz Roberto Mendes Gonçalves (www.uol.com.br/internacional). Dado revelador: “Cerca de 25% dos "leitores habituais" (um livro por semana ou mais) já adotam o formato eletrônico. Best-seller, novela romântica e ficção científica são os gêneros mais vendidos”, nos Estados Unidos. Alguns outros dados: - Em 2010, as vendas de conteúdos para dispositivos eletrônicos alcançaram nos EUA 10% do total do mercado editorial. Neste ano essa cifra é de 15%, segundo o Book Industry Study Group (BISG), que reúne editores, livreiros e plataformas digitais.
- Nos EUA, o leitor médio em formato eletrônico é mulher, tem entre 30 e 44 anos e vive em um bairro residencial. Seu aparelho preferido é o Kindle, da Amazon (53%), seguido do Nook, da rede de livrarias Barnes 7 Noble (15%).
- Na última feira de Frankfurt, as previsões mais conservadoras apontavam que em 2020 50% do mercado mundial do livro será digital.
Um novo tempo para autores, leitores e editoras e distribuidoras e pontos de venda, em especial livrarias. Um novo arranjo à vista. Lula e SUS Que a saúde pública vai mal nesse país, não é nenhuma novidade e não é de hoje. No entanto, querer que um ex-presidente do país seja tratado de um câncer pelo sistema público é preocupante, por alguns motivos: Primeiro, há perda de senso de realidade e de respeito pela hierarquia e autoridade. Um ex-presidente, é um ex-presidente, e precisa ser tratado como tal. A autoridade não parece prudente essa banalização da autoridade. Segundo, parece haver um componente de classe social mal assimilado. Fosse Lula oriundo da aristocracia, esse assunto nem entraria em questão. Ou alguém imagina que alguma ilustre personalidade de nossa República, incluindo governadores e prefeitos de cidades poderosas sofreriam algum constrangimento em buscar, como todos os anteriores, como Tancredo Neves, Itamar Franco e o próprio ex-vice José Alencar, o hospital Sírio Libanês ou outro equivalente? Claro que não, para esses e outros de sangue azul, o SUS não passa nem como sombra. Contudo, dado a origem nordestina e trabalhadora de Lula, mesmo após 8 anos de presidente, há quem entenda que deva se submeter a fila do SUS. Sendo isso admissível e consentido como possível, toda autoridade nesse país pode começar a correr riscos, pois estará sendo corroída sua legitimidade e o respeito estará indo para a lata do lixo. Ou será que sou por demais conservador nesse campo? Da mesma forma, a divulgação nos Estados Unidos de Barack Obama com marca de bala na testa e cm feições zumbis não são um bom sinal, da perspectiva do respeito e preservação da autoridade.
Escrito por Agenor Gasparetto às 20h29
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política e pesquisa 344 ESTATÍsTICAS REVELADORAS, comentários desnecessários ACIDENTES no brasil: “Brasil tem 40 mil mortos no trânsito em apenas um ano” (http://www.folha.uol.com.br/). RUMOS DA ITÁLIA: Do blog Todos os Fogos o Fogo | 28/10/11, MEDALHAS NO PAN No PAN de Guadalajara, México, o quadro de medalhas parece ter ficado mais democrático. Menos para EUA e Cuba, mais para Brasil, México e outros. A geografia do esporte, pelo menos no plano das medalhas, começa a ficar mais democrático, pelo menos começa a ficar mais interessante para o país. Nesses dois últimos dias não deveremos passar Cuba, mas no próximo, que antecederá a Olimpíada no Rio, quem sabe? O FIM DE UM REGIME, MAS TAMBÉM FIM DA TIRANIA ? A OTAN contribuiu para a CNT e seu braço armado derrubar o regime de Kadhafi e acabar com a vida do próprio. Optou pela execução ao império da Lei, constrangendo seus apoiadores externos. E, pelo andar das coisas, deverá constranger ainda mais, tamanha a fúria reprimida por décadas de Kadhafi. Soluções à margem da Lei e dos tribunais, perturbam e inquietam. O velho regime chegou ao fim, mas a era da tirania e da barbárie findou com ele? PAUL KRUGMAN E A LUZ NO FIM DO TÚNEL A Islândia, conheceu no primeiro momento o impacto da crise de 2008. Contudo, fez o que a Europa e os EUA não fizeram: não salvou os bancos. Deixou que quebrassem. Assim conclui Paul Krugman seu texto “O caminho que não foi seguido” do The New York Times: “Aqueles que têm lido notícias sobre a crise financeira, ou assistido a filmes como o excelente “Inside Job”, sabem que a Islândia deveria ser considerada a suprema história de desastre econômico: os seus banqueiros descontrolados sobrecarregaram o país com dívidas enormes e aparentemente deixaram a nação em uma situação irremediável. Mas algo de engraçado aconteceu a caminho do apocalipse financeiro: o próprio desespero da Islândia fez com que um comportamento convencional se tornasse impossível, liberando assim o país para romper com as regras. Quando todo mundo resgatou os bancos e obrigou a população a pagar o preço, a Islândia deixou os bancos quebrarem e de fato expandiu a sua rede de previdência social. Quando todos os demais se fixaram na tentativa de acalmar os investidores internacionais, a Islândia impôs controles temporários sobre a movimentação de capital a fim de obter espaço de manobra. Assim, como é que o país está se saindo? A Islândia não evitou um grande dano econômico e tampouco uma queda significativa do padrão de vida. Mas ela conseguiu limitar tanto o aumento do desemprego quanto o sofrimento da parcela mais vulnerável da população; a rede de previdência social sobreviveu intacta, assim como a decência básica da sua sociedade. “As coisas poderiam ter sido bem piores” pode não ser o mais animador dos slogans, mas quando todo mundo esperava um desastre total, a frase equivale a um triunfo de política econômica. E há nisso uma lição para todos nós: o sofrimento pelo qual tantos dos nossos cidadãos estão passando é desnecessário. Se este momento tem sido marcado por um sofrimento incrível e de uma brutalização da nossa sociedade, isso foi uma escolha. A situação não teria e não tem que ser essa.” Para ler na íntegra, acessar” http://noticias.uol.com.br/blogs-colunas/colunas-do-new-york-times/paul-krugman/2011/10/29/o-caminho-que-nao-foi-seguido.jhtm Em um tempo em que a penalização tende a cair sobre os indivíduos em geral, os mais desafortunados, a Islândia oferece uma sinalização. Poderá não ser boa para banqueiros, mas será ruim para a sociedade e para os trabalhadores? Para pensar.
Escrito por Agenor Gasparetto às 13h08
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Política, Pesquisa e Literatura 343 Para onde vai a crise financeira ? Assim conclui seu artigo o economista Eneas de Souza, em 13/10/2011, no www.sul21.com.br E o Estado pode ter futuro se se der conta de seu lado desenvolvimentista, mas também de seu lado social. E isso vai se decidir na luta política e social que está em curso. Como sempre digo a amigos: o mundo vai para o caos, mas para os cientistas sociais (economistas, sociólogos, politólogos, etc.), a realidade atual é sempre assustadora e inquietante, porém excitante e novidadeira. E o que se sente: o rio do futuro está forçando a ruptura das barragens do passado e do presente. Mas, por enquanto, só se vê esse passado indigesto da financeirização em ruínas. (Para ler na íntegra, http://sul21.com.br/jornal/2011/10/para-onde-vai-a-crise-financeira/) Primavera árabe e movimento Occuppy Wall Street em Nova York e cidades ocidentais As manifestações ocorridas no mundo árabe/muçulmano contra regimes eternizados no poder foram chamadas de Primavera Árabe. Agora as manifestações, antes isoladas na Grécia, Espanha e um que outro lugar do mundo ocidental contra a tentativa de cobrar da sociedade em geral às custas da crise e do endividamento, ganham novo capítulo com movimento que de Nova York se espalha para grandes cidades dos estados norte-americanos e europeias, apontando o vilão principal da crise, o sistema financeiro e sua tentativa de subordinar mundo social e o mundo da produção ao seu cassino especulativo. A crise avança mais um passo e alcança novo patamar. Assim começa discurso aos manifestantes no parque Zuccotti, em Nova York, o filósofo esloveno Slavoj Zizek:“Estão dizendo que todos nós somos uns perdedores, mas os verdadeiros perdedores estão ali em Wall Street. Eles foram socorridos por bilhões do nosso dinheiro. Nos chamam de socialistas – mas aqui sempre tem socialismo para os ricos. Dizem que nós não respeitamos a propriedade privada, mas no colapso financeiro de 2008 foi destruído mais de propriedade privada conquistada com sacrifício do que se todos nós aqui nos dedicássemos a destruir dia e noite por semanas. Eles dizem que somos sonhadores. Sonhadores mesmo são os que pensam que as coisas podem continuar indefinidamente do jeito que estão. Nós não somos sonhadores: nós somos o despertar de um sonho que está virando pesadelo.” (Para ler na íntegra, http://sul21.com.br/jornal/2011/10/as-palavras-do-filosofo-zizek-aos-manifestantes-em-nova-york/) A Primavera (no Outono) Americana, por Maurício Santoro (10 de outubro e 2011), assim começa o texto: “Os republicanos acharam que levariam a democracia para o mundo árabe invadindo o Iraque. A ironia é que foi o mundo árabe que nos deu uma lição de democracia, e posso garantir que estamos aprendendo rápido”. Assim disse o estudante de Administração Brandon Klein, na ótima reportagem do Valor sobre a ocupação de Wall Street por movimentos sociais críticos às grandes empresas, ao setor financeiro e ao governo do país. Curiosamente, a inspiração não vem só da Tunísia e do Egito, mas também do outro lado do especto ideológico, com o Tea Party. Ambos são expressões da revolta da classe média americana com os descaminhos da crise nacional.”Enfim, o mundo gira e parece que gira cada vez mais rápido.(Para ler na íntegra, (http://todososfogos.blogspot.com/2011/10/primavera-no-outono-americana.html) Polêmica reeleição e rejeição Os blogs Pimenta na Moqueca e O Trombone, através do sub-blog Notas e Rodapés de Adylson Machado, colocam a questão da rejeição e reeleição, citando-me. Observo que há duas coisas diferentes sendo misturadas nessa polêmica: rejeição de candidatos a prefeito e avaliação negativa de uma administração. Os dois textos escritos no final da década de 1990 e publicados na Revista SBPM, mas também incluídos no site www.socio-estatistica.com.br, não abordam a rejeição de candidatos. O foco é a avaliação negativa de uma administração e as perspectivas de reeleição e/ou de fazer sucessor nas mais diferentes situações. Efetivamente, na oportunidade, o que se constatou foi que nenhum prefeito com uma administração com avaliação negativa superior a 25% se reelegeu, embora alguns tenham feito sucessor, assim como nenhum, dentre os monitorados, com avaliação positiva abaixo de 40% se reelegeu, embora alguns tenham feito sucessor. Ou seja, como parâmetros gerais, que, como todo evento social, admitem exceções, um prefeito precisa ter pelo menos 40% de avaliação positiva e um mínimo de 25% de avaliação negativa para poder aspirar em condições de razoabilidade sua reeleição. Obviamente, isso não significa 100% de certa, mas que está em condições razoáveis de postular à reeleição em condições de normalidade. A seguir, referência aos artigos então publicados tratando desse assunto: Administração pública e reeleição (Publicado na Revista SBPM – Sociedade Brasileira de Pesquisa de Mercado. Dezembro de 1999. Ano II, nº 10, pp.32-36) Ver texto Retomando a questão da reeleição dos prefeitos, também publicado na referida revista, em número subsequente.
Escrito por Agenor Gasparetto às 18h42
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Política, Pesquisa e Literatura 342 Na Europa, o pedestre põe o pé na faixa e os carros param ... É comum ouvir uma expressão, enaltecendo o grau civilizatório dos europeus contrastando com o que acontece ao Sul do Equador, num país tropical: “Na Europa, o pedestre põe o pé na faixa e os carros param ...”. Em resumo, uma maravilha. Terão os europeus aprendido, eles que povoaram a história de guerras e conflitos ? Talvez, não. Talvez haja uma diferença. O rigor da lei. O que acontece a um condutor que atropela um pedestre na Europa? E quem paga a conta do acidente ou uma indenização por invalidez ou morte ? Aqui, toda a sociedade paga, ainda que a responsabilidade seja de um condutor negligente ou irresponsável. Lá, provavelmente, quem paga a conta não é o conjunto da sociedade, mas o causador. Esse detalhe pode fazer uma grande diferença no que acontece quando um pedestre pisa o pé em uma faixa por esses lados e na Europa de hoje. Estatísticas-1 O jornal Correio da Bahia, na edição de ontem, trouxe em matéria de capa e detalhada nas páginas 18 e 19, resultados de uma pesquisa sobre fidelidade e aceitação da relação homossexual na cidade de Salvador. A pesquisa foi realizada pelo Instituto Futura em parceria com o próprio Correio. Foram ouvidas 601 pessoas, entre os dias 30 de setembro e 3 de outubro. Alguns resultados: 56,7% disseram ser fiéis e 57,2% disseram admitir terem sido traídos; 42,8% admitem ter traído. Até aqui, ainda que pesquisas dessa natureza sejam por si só bastante difíceis pela natureza das temáticas, os resultados informam uma realidade com razoável grau de confiabilidade. Estatísticas-2 No entanto, quando as 601 sujeitos da pesquisa ouvidos são distribuídos pelas 16 regiões pesquisadas, os resultados tornam-se extremamente vulneráveis. Supondo a título de ilustração que todas as 16 regiões da cidade de Salvador tenham contribuído com a mesma proporção de pessoas na amostra, temos menos de 38 pessoas por região. A partir dessa base extremamente frágil, afirmar resultados é, no fundo, brincar com estatísticas. Seguramente, se fosse realizada outra amostra de mesmo tamanho nas mesmas regiões e no mesmo período, o resultado poderia ser o oposto nessas regiões. Não é possível se afirmar quando o intervalo ou margem de erro oscila 20 ou mais pontos para mais ou para menos do resultado encontrado. Nesse sentido, se para as 601 o erro amostra implique numa oscilação cerca de 4,5 pontos para mais e para menos do resultado encontrado, e se numa região fossem realizadas 100 entrevistas essa oscilação seria de 10 pontos, imagine como levar a sério resultados em que a base é menor do que 40 pessoas ouvidas. Estatísticas-3 Essa estratégia de expor resultados dessa natureza por regiões ou bairros, pode até ser boa para vender jornal e suscitar polêmicas, mas é brincar com pesquisa. Não podem merecer adesão racional. Resultados embasados em pequenas sub-amostras com menos de 60 casos, devem ser olhados antes como curiosidade estatística, não sendo possíveis generalizações, sob pena de graves equívocos, tamanha a fragilidade em que estão assentadas. Acreditar nisso não passa de uma ilusão estatística. O que é bom para o marketing pode não ser bom para a representação adequada de uma realidade.
Escrito por Agenor Gasparetto às 16h46
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Política, Pesquisa e Literatura 341 Elevador Lacerda e planos inclinados Nos últimos dias, a polêmica da privatização do elevador Lacerda. Desde janeiro como usuário frequente desse serviço, a ideia de mudança parece mais do que oportuna. Funciona mal e não raro é-se convidado a entrar em ônibus gratuitos para subir ou descer, cidade alta e cidade baixa. Lamentável que esse serviço, um valioso cartão-postal de Salvador, tenha qualidade aquém da merecida pelos usuários, turistas ou não. Lamentável que se vislumbre apenas numa eventual privatização como saída para um serviço de qualidade. Menos ruim seria que uma empresa o assuma e faça dele seu marketing institucional, com ou sem gratuidade do serviço. É um cartão-postal e um belo cartão. Vale. Dos planos inclinados nem dá vontade de falar. Precisam apenas que funcionem e funcionem a contento. Nesse particular, como no geral, a questão da mobilidade urbana em Salvador é um problema, por vezes beirando o caos. E a ligação cidade alta e cidade baixa não é exceção. Talvez seja o flanco mais visível para quem precisa subir e descer nesse canto histórico dessa grande cidade. Terminal França A Cidade Baixa ou Comércio, que homenageia vários países dando nome às suas ruas e logradouros, a via mais próxima a baía de Todos os Santos, rende homenagens à França de Vitor Hugo e Jean Paul Sartre e de muitos outros. Há um terminal, extenso, de ônibus, com vários abrigos. Contudo, o que mais impressiona nele, um exemplo para a Copa de 2014, é a sinalização: ao longo de sua longa extensão não faltam placas informando que linhas chegam e para que destinos partem os seus ônibus, sem falar nos horários de saída de cada um em cada um deles, religiosamente cumpridos. Em suma, um primor de sinalização e informação. Quando o tema é mobilidade urbana, uma referência. Revista Primeiras & Melhores No último dia 20, no auditório da CDL de Itabuna, ocorreu lançamento da revista Primeiras & Melhores. A entrega dos prêmios será no dia 25 de outubro. Os convidados conheceram a proposta editorial da revista. A revista está recebendo inscrição de textos para próxima edição, como mencionado em mensagem anterior. Estado Palestino A presidente Dilma teve posicionamento claro e correto em relação à Palestina e seu estado. Entristece ver posição de Barack Obama argumentando que o estado não poderia ser decisão das Nações Unidas, mas de negociação direta entre israelenses e palestinos. Apenas esqueceu como nasceu Israel. Enfim, quando não há vontade política, qualquer argumento serve. E que a história não seja lembrada. O mundo gira, mas há coisas que marcam passo.
Efeito borboleta No último domingo, no início da noite, bem na hora em que o Inter entrou em campo contra o Curitiba, faltou energia elétrica em parte da área do centro de Itabuna. Ficou quase uma hora sem. Voltou. Caiu. Voltou. Caiu uma terceira vez, sendo as duas útlimas de pequena duração. Como não havia ventos, não havia chuva, imagino que deva ser consequência do tufão que devastou Tóquio e adjacências, no Extremo-Oriente.
Escrito por Agenor Gasparetto às 08h23
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Política, Pesquisa e Literatura 340 Revista e Prêmio Primeiras & Melhores Dia 20 de setembro, na CDL de Itabuna, às 19h, será lançada a revista Primeiras & Melhores número 4, correspondente ao primeiro semestre de 2011. Aproveitamos para agradecer aos autores e anunciantes que confiam em nossa publicação. Agradecemos em especial a agência E10, de Edinho e equipe, pela revitalização da marca, que pode ser apreciada na revista e nos nossos anúncios. Aproveitamos para apresentar as seções do próximo número da revista, previsto para dezembro deste ano: Seções da revista Primeiras & Melhores a) Pesquisa & Estatística: textos na perspectiva do consumidor, do usuário das estatísticas ou dos resultados das pesquisas. b) Primeiras & Melhores. análise dos resultados da pesquisa Primeiras & Melhores. c) Arte & Literatura: textos, ilustrações, desenhos de artistas e de escritores da Bahia ou sobre eles. d) Desenvolvimento & Meio Ambiente: textos explorando o embate entre economia e meio ambiente, tendo como foco preferencial a Bahia. e) História & Geografia: textos explorando aspectos da história e/ou geografia da Bahia. f) Mercado & Marketing: textos explorando aspectos do mundo do mercado e do marketing, tendo como parâmetro preferencial a realidade da Bahia. g) Empresa & Responsabilidade social: textos focando compromisso das empresas e/ou instituições com as pessoas e suas comunidades, com sua saúde, bem-estar e desenvolvimento humano. Por fim, apresentamos também as orientações para os que tiverem interesse em submeter textos para nossa revista. Orientações para apresentação de artigos: Público-alvo: a Revista Primeiras & Melhores tem como público-alvo empresários, lojistas e dirigentes de empresas e/ou instituições. Espaço geográfico preferencial: o estado da Bahia ou com implicações nesse. Natureza dos textos: informação científica em linguagem aprazível, compreensível pelos cidadãos. Nem técnico, nem popular. Entre um e outro. Podem conter algumas referências bibliográficas. Tamanho dos textos: de uma a quatro páginas, sendo cada página em torno de 450 palavras (contagem word). Devem conter ilustrações e/ou figuras e/ou imagens. Essas em alta resolução e sem restrições de uso e com fonte referenciada. Dados do autor: nome completo, endereço eletrônico e formação acadêmica e/ou atuação profissional principal e/ou cargo. Páginas, tiragem e distribuição: 64 páginas, 2.000 exemplares, parte da edição distribuída via autores, anunciantes e entidades empresariais e parte colocada em bancas de revistas, além de venda via on line. (Tiragem e páginas poderão ser aumentadas quando houver possibilidade para isso). Periodicidade: semestral. Em princípio, julho e dezembro de cada ano. Próxima edição: dezembro de 2011. Versão on line: a Revista Primeiras & Melhores também terá versão on line, na página www.revistaprimeiras&melhores.com.br dentro das páginas da editora (www.vialitterarum.comlbr e www.quiosquecultural.com.br
Escrito por Agenor Gasparetto às 10h21
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Política e Pesquisa 339 Boas notícias para a Bahia. Duas novas universidades federais vão ser criadas na Bahia, a Universidade Federal do Sul da Bahia - Ufesba -, com sede em Itabuna e atuação no Sul e Extremo-Sul da Bahia, e a Universidade Federal do Oeste da Bahia, com sede em Barreiras. Mais oportunidades à vista para o Sul da Bahia e para esse estado fazer frente à defasagem em que se encontra nesse plano. E trata-se de um resgate da dívida da União com a Bahia que por muito tempo permaneceu com apenas uma universidade federal, recentemente com uma segunda, a do Recôncavo, a partir do campus da própria UFBA, e da universidade do rio São Francisco, partilhada por Pernambuco e Bahia, Petrolina e Juazeiro. No caso da Unifesba, contudo, se se pensar além dos interesses imediatos, não será difícil concluir que o melhor lugar para sua instalação será no município de Ilhéus, onde hoje funciona a Ceplac. Como alternativa, a Reitoria até poderia funcionar em Itabuna, mas o campus teria um bom ponto de partida alguns quilômetros adiante. A Ceplac é uma Comissão que dura há mais de 50 anos, os seus últimos funcionários contratados, pelo menos em seu centro de pesquisas, o foram há pelo menos 25 anos, ou seja, hoje beiram a casa dos 50 anos. Mais alguns anos, em não havendo vontade política para sua renovação, ficará apenas uma grande e preciosa estrutura física. Uma universidade federal, criada a partir da estrutura da Ceplac, podendo inclusive absorver, caso essa seja uma vontade de seus funcionários, os próprios. (Não esquecer que os que foram reenquadrados o foram como “fiscais” do ministério da Agricultura). Os que não quiserem, continuariam na atual condição até sua aposentadoria. Mesmo assim, em se tratando de Ceplac, trata-se de uma equação delicada. Por essa razão falei acima “se se pensar além dos interesses imediatos”. Entre esses, há a questão dos limites municipais entre Itabuna e Ilhéus (onde é que se viu uma universidade federal com sede em Itabuna estar em território ilheense?), há o interesse dos ceplaqueanos, particularmente os que ainda estão na condição de ativos, que poderiam se sentir ameaçados, há o interesse de políticos que estão nomeando ocupantes de cargos de comissão nessa instituição e deverão haver outros interesses difusos, ou nem tanto, como empreiteiras que vislumbram na construção da estrutura física da nova universidade uma fonte de lucros. Contudo, a questão é: o que mais convém ao país, à região e à Itabuna, uma nova estrutura ou o aproveitamento da existente, reorientando-a? (Caso a escolha venha a ser por uma nova estrutura, plausível, progressivamente, a questão do destino da Ceplac e de seu patrimônio ganhará corpo. E parece razoável não acontecer com esse bom patrimônio o que aconteceu com o prédio que pertenceu ao antigo CNPC, que por anos ficou à deriva, ao sabor das intempéries, mesmo estando no coração da área central de Itabuna, diante dos olhos de todos, até sua reforma e reocupação). Essa mesma questão deverá ser feita aos ceplaquanos remanescentes: continuar na atual condição ou continuar numa nova perspectiva, no contexto de uma universidade federal? De uma perspectiva psicológica, parece atraente a possibilidade de compor os quadros de uma universidade federal, com a riqueza e a juventude que o estudantado costuma trazer. Mesmo assim, caberá a eles e a sua instituição avaliar e decidir. Obviamente, deverá ser encontrada forma para que as atividades em curso continuem, num regime de cohabitação com as de uma universidade e, dependendo dos cursos a serem implementados, até absorvidas naturalmente. E caberá a sociedade e seus integrantes, como o faço agora, expor o que lhe parece ser a melhor alternativa. Essa discussão, seguramente, tem combustível para esquentar. As raízes do futuro no Brasil Assim conclui seu texto o economista Eneas de Souza: “O casamento profícuo entre o Estado, o capital, o investimento, a tecnologia, o emprego, a distribuição de renda, a alocação de recursos para a área social, trazem as causas materiais para chegarmos à civilização. E, para chegar lá, precisamos dos condimentos da educação, da pesquisa científica, da saúde e da cultura. Atenção: o Brasil não pode se enganar: não há civilização sem cultura. Só a cultura faz a civilização e o progresso material durar.” Para ler na íntegra acessar http://sul21.com.br/jornal/2011/08/as-raizes-do-futuro-no-brasil/ O pior cego A jornalista Cristina Rodrigues em seu blog Somosandando reflete as interpretações das manifestações violentas dos jovens em Londres e nas principais cidades inglesas, tentado expor a miopia do governo inglês em querer fazer crer que não passam de criminalidade pura e simples. Para ler na íntegra acessar http://somosandando.wordpress.com/2011/08/16/ate-a-pior-das-revistas-enxerga-melhor-a-inglaterra-que-o-governo-ingles/
Escrito por Agenor Gasparetto às 17h19
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Política e Pesquisa 338 Admirável mundo novo O jornalista Alex Cruz comenta a vontade do primeiro-ministro inglês David Cameron em cercear a Internet, especialmente as redes sociais como forma de impedir novos distúrbios no futuro. Trata-se da tentação de tudo controlar, de tudo subjugar, no velho estilo dos autoritarismos de todos os matizes. No entanto, é pouco provável que, mantendo-se a sociedade aberta, livre, isso seja possível. É da essência da democracia o livre fluxo e o livre opinar. A Internet é, apenas, o mais poderoso e democrático meio para isto. Tem um potencial extraordinário de democratização, assim como de controle total, preconizado no Admirável Mundo Novo, de Aldous Huxley, no início dos anos 30 do século passado. Seguramente, estaremos diante de dois mundos novos, não sei o quão admiráveis serão, mas o serão na sua configuração final, de um ou de outro jeito, para o bem ou para o mal. Para ler na íntegra acessar http://alesoarescruz.blogspot.com/2011/08/democracia-ameacada.html A volta da CPMF, na Europa e para tentar salvá-la Quem diria, a velha CPMF abortada no país pode voltar agora como medida para tentar salvar a Europa de sua crise financeira. Alemanha e França defenderam “a criação de uma taxa sobre aplicações financeiras e um imposto comum sobre empresas na zona do euro.” Esse imposto sobre transações financeiras, como todo imposto pode não agradar e não agrada, mas talvez seja o mais democrático de todos, porque incide sobre o quanto cada um e cada empresa transaciona. Verdade, quem tem poder, transfere-o. Contudo, verdade verdadeira, há algum imposto que quem pode dele se libertar não o transfira? Fazendo-se um balanço ponderado, é possível que não seja tão ruim quanto pareça. Verdade, há os desvios de finalidade. Seguramente, nem mais e nem menos exposto a esse problema do que os demais impostos. Para acessar matéria na íntegra: http://economia.uol.com.br/ultimas-noticias/redacao/2011/08/16/alemanha-e-franca-defendem-maior-integracao-na-zona-do-euro-veja-destaques-da-reuniao.jhtm Europa: a falta que uma cabeça faz Na Europa unida imaginada por Jean Monet, no início dos anos 50 do século que passou, o sonho era o equivalente a um Estados Unidos da América constituído pelos estados europeus. Não foi a escolha vencedora. Pesou muito o umbigo de cada um dos estados integrantes. Agora, sob a ameaça da crise, é possível que a velha Europa conclua que seja necessário e estratégico se repensar enquanto unidade. Apenas uma moeda comum e alguma coisa mais em comum pode ser insuficiente. É possível que a Europa que vá sobreviver seja a de um estado unitário, em que os integrantes tenham que abrir mão de muito de sua soberania. Do contrário, o sonho virará pesadelo; a unidade, frangalhos. Curiosamente, a pequena fração geográfica do mundo que no século XIX ousou dar-se ao luxo de subjugar e partilhar entre si Ásia e África e tenha estado numa situação de beligerância latente, explicitada pelas duas guerras mundiais, tamanho era seu poder, hoje apenas sobreviva se conseguir fazer valer aquela frase surrada “unidos venceremos!” À Europa, a busca de uma unidade real, plena, poderá se constituir em um imperativo cada vez mais forte. Afinal, faz falta também à ainda rica e poderosa uma cabeça. Nova economia, nova sociedade e velhos padrões de taxação A incidência de taxação sobre operações financeiras numa economia hiperfinanceirizada, em boa parte às custas da produção, pode ser vista como busca de uma nova base de tributação, diminuindo ou eliminando outras taxas ou impostos. A propósito, por que os impostos incidem sobre o indivíduo contratado por uma empresa e não sobre o faturamento bruto dessa empresa ? Essa incidência onera o trabalho, inibe a contratação de trabalhadores, em suma, tem potencial anti-social. Caso se mude, progressivamente, para um sistema em que diminua a tributação sobre o indivíduo e aumente a alíquota sobre o faturamento, de forma a manter pelo Estado sua capacidade arrecadatória, seguramente, haverá mais postos de trabalho, menos desempregados e menos problemas decorrentes de alternativas legais e morais de acesso a uma fração à renda para atender aos imperativos da sobrevivência (por acaso, acabei de lembrar agora das manifestações de alguns dias passados em Londres e de alguns anos passados na França e da cada vez mais frustrante Primavera que pareceu florir no mundo árabe). Nesse sentido, ver texto de Luiz Felipe de Alencastro que diz com todas as letras o que pensa desses episódios: http://noticias.uol.com.br/blogs-colunas/colunas/luiz-felipe-alencastro/2011/08/13/desemprego-e-decadencia-urbana-explicam-revolta-na-inglaterra-e-sua-semelhanca-com-tumultos-na-franca.jhtm Por falar em acesso à renda Em tempos passados, o senador Eduardo Suplicy propôs a criação de uma renda mínima, como forma de todos os cidadãos pobres e maiores terem algum tipo de participação na riqueza do país. O problema de fundo é como ter acesso a dinheiro numa economia monetarizada em que a automação vai eliminando postos de trabalho e não os criando na quantidade necessária e quando os cria, não os cria para os mesmos indivíduos que se viram no olho da rua, mas para outros, mais qualificados nas novas tecnologias. Em algum dia, mais cedo ou mais tarde, poderá se chegar à conclusão nesse país e além dele, que será mais em conta, menos oneroso, para a sociedade e para o Estado, instituir um equivalente à fração mínima de renda universal, para todos, do mais rico ao mais pobre do que continuar na trilha assistencialista viigente. Com isso, todo aparato de assistência social, sua burocracia e seus vícios, poderia ser reduzida a um mínimo. Por que não apenas para o pobre? Para eliminar na raiz preconceitos, instituindo o princípio da igualdade no acesso à renda nacional partilhada (aí estaria um bom destino para uma fração da renda decorrente da exploração do Pré-Sal, por exemplo, mas não apenas dessa fonte de renda seria constituído o fundo, mas de toda a riqueza gerada pela economia). Desta forma, estaríamos criando o conceito de participação efetiva no bolo da riqueza nacional, de forma igual, por todos os indivíduos que compõem a sociedade. E se o rico não quisesse receber sua cota? Terá oportunidade a destinar esse recurso para entidades que cuidam de pessoas que necessitam, diminuindo a necessidade dessas de mendigarem recursos para prover o mínimo para os seus assistidos, que não sobreviveriam nessa sociedade, a não ser mediante ações empreendidas pela sociedade, através de pessoas e entidades. A propósito, campanhas deveriam ser feitas exatamente com esse propósito: o cidadão que entenda não precisar, poderá doar, dando sua cota de contribuição ou de responsabilidade social. Será uma bela oportunidade. Será curioso quando quem quer que seja queira ocupar um posto que pretenda e tiver que expor o que fez com sua cota da renda mínima. Nesse gesto, o público terá um vislumbre da natureza do sujeito que está postulando, quer seja a um cargo de vereador, deputado, senador, governador, presidente do país e de qualquer instituição pública ou com conexão com o público. Será apenas um indicador, mas um belo indicador da grandeza e da generosidade desse postulante. Em minha opinião, se houver a possibilidade de emergência de um sistema mais humano em lugar do capitalista vigente, cada vez mais cruel e injusto para com os menos capazes e mais pobres, ele passará por uma nova estruturação da economia e da sociedade, em que a taxação sobre as transações financeiras, algum mecanismo de partilha de parte da riqueza gerada pelo conjunto da economia universalmente distribuído e outras medidas nessa direção. Crise cria classe de novos pobres na Espanha Com taxas de desemprego acima de 20% de sua população economicamente ativa, a Espanha vê seus filhos empobrecerem. O texto que pode ser lido na íntegra no link abaixo e aqui com trechos reproduzido dá uma noção da realidade que está por se manifestar com toda sua crueza na Espanha e em boa parte do mundo tido como desenvolvido, que cada vez mais se parece com o nosso, não com aquele que temos como sinalização no horizonte, mas com aquele que nos assolou no passado. Segue passagem dessa matéria: “O governo espanhol considera pobres os indivíduos com renda familiar abaixo de 570 euros mensais (cerca de R$ 1.300). As famílias com renda inferior a 215 euros (cerca de R$ 490) são consideradas na pobreza extrema. Uma de cada quatro famílias não tem dinheiro o suficiente para saldar as dívidas no fim do mês. A pesquisa estatal sobre a população economicamente ativa indica que em 2009 havia 4% das famílias com todos os integrantes desempregados. No primeiro trimestre de 2011, a taxa alcançou 11%. Os serviços sociais estão sobrecarregados. Há quase 30 anos não havia tanta demanda.” http://noticias.uol.com.br/bbc/2011/08/16/crise-cria-classe-de-novos-pobres-na-espanha.jhtm
Escrito por Agenor Gasparetto às 13h11
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Política e Pesquisa 337 Causas da crise americana e saídas para ela De acordo com Thomas L. Friedman, do The New York Times, “Não há solução fácil para crise de crédito dos EUA”. Afirma que os EUA “está se vendo no pior tipo de declínio - um declínio lento, vagaroso o suficiente para continuarmos nos iludindo de que nada realmente fundamental precisa ser alterado para que nosso futuro se equipare ao nosso passado.” “Nosso declínio lento é resultado de dois problemas interligados. Primeiro, nós deixamos que nossos cinco pilares básicos ruíssem desde o final da Guerra Fria - educação, infraestrutura, imigração de empreendedores e inovadores com QI elevado, regras para incentivar a tomada de risco e abertura de novas empresas, e pesquisa financiada pelo governo para estimular a ciência e a tecnologia.” Observa que o fim da Guerra Fria sinalizou equivocadamente. “Nós tratamos equivocadamente o final da Guerra Fria como uma vitória que nos permitiu colocar nossos pés para cima - quando foi na verdade o início de um dos maiores desafios que já enfrentamos. Nós ajudamos a promover 2 bilhões de pessoas assim como nós - na China, Índia e no Leste Europeu. Para que competíssemos e colaborássemos com elas - e manter o sonho americano– era necessário estudar ainda mais arduamente, investir mais sabiamente, inovar mais rapidamente, atualizar nossa infraestrutura ainda mais agilmente e trabalhar mais inteligentemente” “Em vez de fazermos isso na escala que precisávamos - isto é, malhando para ganhar músculos– nós injetamos quantidades enormes de esteroides de crédito (assim como nossos jogadores de beisebol). Isso permitiu que milhões de pessoas comprassem casas pelas quais não podiam pagar e gerou empregos em construção e no varejo que não exigem muita educação. Nossos amigos europeus saíram em uma gastança semelhante.” E citando Kenneth Rogoff, um professor de economia de Harvard, a propósito de se o momento seria de “Grande Recessão” ou de uma “Grande Contração (de Crédito)”. Para Rogoff, “o verdadeiro problema é que a economia global está seriamente superalavancada, e não há saída rápida sem um esquema de transferência de riqueza dos credores para os devedores, seja por meio de calotes, repressão financeira ou inflação. (...)” http://noticias.uol.com.br/blogs-colunas/colunas-do-new-york-times/thomas-friedman/2011/08/09/nao-ha-solucao-facil-para-crise-de-credito-dos-eua.jhtm O calote não fica bem para um Estados Unidos. Está fora de propósito. Repressão financeira, caso entendida como regulamentação das finanças, um pouco difícil, quem faz as regras não aprecia regras para si mesmo; caso seja entendida como aumento das taxações e reduções das conquistas sociais, será necessário apostar que os perdedores se conformem, sinais vindos do outro lado do Atlântico revelam que não será pacífico. Gerar inflação, desvalorizando o dólar, parece ser a via mais plausível e, dada a sobrevalorização do real e de outras moedas de países emergentes, já está em prática. Ela tem a vantagem de “comer pelas beiradas”, sorrateiramente, sistematicamente, como a força da água solapando um barranco à beira de um leito do rio ou do mar. Nesse caso, caberá a países como o Brasil buscar mecanismos e meios para se proteger. A criação de centros tecnológicos para a indústria nos moldes de uma Embrapa, assim como a desoneração fiscal, para os setores mais vulnerabilizados pela voracidade da competição mundial, com vistas ao impedimento de uma reprimarização da economia brasileira, de sua desindustrialização, parecem se inserir num esforço para tentar mitigar esse processo. Talvez se revele insuficiente. Contudo, é um esforço e uma tentativa. Corrupção no país Certa feita, ouvi de um inglês, a respeito do país, uma afirmativa que feriu os brios nacionalistas. Disse ele: “olhando de longe, parece tudo certo e tudo bem. Quando você olha de perto, é ao contrário”. Ele estava fazendo referência à corrupção, que parece um mal estrutural, desde a cola na sala de aula, passando por levar vantagem pessoas em função de posições ocupadas, até suborno e corrupção envolvendo cifras milionárias. A propósito, numa obra envolvendo milhões, às vezes, bilhões, como saber o que é “certo”, razoável, e que é pura e simplesmente um “meter a mão grande” no recurso público. A presidente Dilma fez uma faxina no Ministério dos Transportes. Agora está às voltas com o do Turismo e o da Agricultura. Amanhã sobrarão ministérios, secretarias estaduais ou municipais ? E quanto mais a lei se complexifica, tentando impedir a corrupção, mas brechas parecem surgir para o recurso público fluir e se esvair. Bastam apenas interessados, de um lado e de outro, do balcão. No papel, estará tudo de acordo com os tribunais de contas. Na prática, na prática, a realidade pode ser outra. Apostar menos nos quadros da militância política instalados na máquina pública e mais nos quadros técnicos dos próprios órgãos, diminui a pressão e o risco (há uma carreira e um nome em jogo), mas não assegura imunidade. Mas parece ser um bom caminho. Afinal, não se precisa de tantos comissionados. Que os políticos encontrem outras formas de merecer adesões e colaboradores. Às custas da sociedade, não parece uma solução razoável.
Escrito por Agenor Gasparetto às 11h49
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Política e Pesquisa 336 “Não é crise. É que não te quero mais” Com a palavra, Manuel Castells O www.sul21.com.br vem se constituindo num endereço eletrônico que compensa acessar. Seus editoriais, colunas, blogs e matérias preenchem um vazio de reflexão e contribuem para clarear o nosso tempo e nosso contexto histórico. A propósito a análise de Manuel Castells sobre a crise das finanças e as crescentes sinalizações de turbulência na Europa são pertinentes e merecem leitura. Para Castells, as manifestações exigem uma reinvenção da própria democracia, “a partir de valores como participação, transparência e prestação de contas aos cidadãos”. Destaco do texto dois parágrafos com o intuito de convidar o leitor a lê-lo na íntegra, neste final de semana: “Nas ultimas décadas, constituiu-se um capitalismo global, dominado por instituições financeiras (os bancos são apenas uma parte) que vivem de produzir dívida e ganhar com ela. Para aumentar seus lucros, as instituições financeiras criam capital virtual por meio dos chamados “derivativos” [ou, basicamente, apostas na evolução futura de todo tipo de preço]. Emprestam umas às outras, aumentando o capital circulante e, portanto, os juros [e comissões] a receber. Em média, os bancos dispõem, nos Estados Unidos ou na Europa, de apenas 3% do capital que devem ao público. Se este percentual chega a 5%, são considerados solventes, [em boa saúde financeira]. Enquanto isso, 95% [do dinheiro dos depositantes] não está disponível: alimenta incessantemente operações que envolvem múltiplos credores e devedores, que estabelecem relações num mercado volátil, em grande parte desregulado.” ”Diz-se que umas transações compensam umas às outras e o risco se dilui. Para cobrir os riscos, há os seguros – mas as seguradoras também emprestam o capital que deveriam reservar para fazer frente a sinistros. Ainda assim, permanecem tranquilos, porque supõem que, em ultima estancia, o Estado (ou seja, nós) vai salvá-los das dívidas – desde que sejam grandes o suficiente [para ameaçar toda a economia]… O efeito perverso deste sistema, operado por redes de computadores mediadas por modelos matemáticos sofisticados, é: quanto menos garantias tiverem, mais rentáveis (para as instituições financeiras e seus dirigentes) as operações serão. E aqui entra outro fator: o modelo consumista que busca o sentido da vida comprando-a em prestações….” http://sul21.com.br/jornal/2011/08/“nao-e-crise-e-que-nao-te-quero-mais” (Por Manuel Castells, La Vangardia | Tradução Cauê Seigner Ameni | Fonte: Outras Palavras). Metrô de Salvador Assim começa matéria de Priscila Chammas, da redação do Correio, da Bahia, sobre as obras do Metrô da capital baiana: “O metrô é curto, mas a história é longa. Este mês o sistema de pouco mais de 12 quilômetros, pensado para ligar a Lapa à Estação Pirajá, completa 12 anos, a contar da data de licitação. A Secretaria Municipal dos Transportes (Setin) não sabe informar a data exata do início do processo, mas estudantes da capital resolveram comemorar hoje o aniversário do metrô, cuja obra ainda não foi concluída. “Como é o Dia do Estudante, resolvemos aproveitar a data”, explicou o secundarista Cícero Cotrim, um dos idealizadores da manifestação organizada pela internet e marcada para as 16h30, no canteiro da Bonocô.” ( http://www.correio24horas.com.br/noticias/detalhes/detalhes-1/artigo/obras-do-metro-na-capital-baiana-completam-12-anos/ Salvador, há muito tempo, precisa de um transporte de massas à altura de seu status de grande cidade e das necessidades de sua população. Um metrô funcionando, especialmente se alongado para a Avenida Paralela, como sinalizou o governador Wagner, já vem com muito atraso. Hoje, qualquer distância, dependendo do horário, de carro, táxi ou ônibus (esse em geral ruim) consome muito tempo e muita paciência. Quando o metrô estiver transportando pessoas em escala expressiva, não vai resolver ainda o trânsito dessa cidade, mas pelo menos tirará grande parte da frota de ônibus que enchem as avenidas e contribuem para o congestionamento generalizado. Agências de classificação de riscos Segundo Paul Krugman, a “Standard & Poor's não tem credibilidade para avaliar dívida dos EUA”, do The New Yor Times. E aponta os motivos para os quais essa agência não é merecedora de credibilidade agora que rebaixa os EUA enquanto capazes de honrar seus compromissos financeiros. E parece ter razão. Contudo, aponta como principal problema não isso, mas um dos problemas inerente á democracia representativa hoje. Afirma ele: “O verdadeiro problema enfrentado pelos Estados Unidos, mesmo em termos puramente fiscais, não é determinar se nós cortaremos um trilhão aqui ou um trilhão ali do nosso déficit. O problema é saber se os extremistas que estão atualmente bloqueando qualquer tipo de política responsável podem ser derrotados e marginalizados.” http://noticias.uol.com.br/blogs-colunas/colunas-do-new-york-times/paul-krugman/2011/08/09/standard--poors-nao-tem-credibilidade-para-avaliar-divida-dos-eua.jhtm Há muito em que o elo entre representante e representado é tênue e problemático no regime democrático. É difícil a gente se sentir representado pelos políticos. A impressão que sobra é que parece haver um descompasso crescente entre o mundo da política e a sociedade. É crescente o sentimento de que será necessário repensar a própria democracia, libertá-la dos entulhos e contaminações, especialmente a corrupção, que parece exigir de todo postulante à condição de político a um batismo, captar recursos para se eleger e conseguir os votos necessários. Nesse mercado, como já sinalizamos tempos passados, a probabilidade de ficar imune à corrupções, abertas ou sutis, é pequena.
Escrito por Agenor Gasparetto às 11h32
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Pesquisa & Política 335 PESQUISAS E PESQUISAS OPORTUNISTAS Ainda que muitos teóricos contestem a influência das pesquisas em um processo eleitoral, o fato é que, no plano da realidade concreta, ela é utilizada de diferentes formas e se constitui em um insumo altamente valorizado na definição das estratégias, no planejamento das campanhas, na sua operacionalização e como peça de propaganda eleitoral. Obviamente, seu poder varia em cada contexto e em cada eleição. Uma coisa pode ser dita com segurança: se fosse inócua, não haveria tanto interesse em divulgá-las e não despertariam tanto interesse. A pesquisa, enquanto propaganda articulada e incorporada ao marketing, juntamente com os meios de comunicação, enquanto instrumentos a serviço de interesses particulares, no caso, político-eleitorais, em suas múltiplas formas de realização de seus propósitos, tem força nos processos sucessórios, constituindo-se, depois da administração em curso e dos próprios candidatos, nos principais pilares de uma eleição para cargos majoritários, como para prefeito, por exemplo. Das “pesquisas” com propósitos de propaganda Há, na prática, várias formas de fazer da pesquisa instrumento a serviço de uma estratégia de propaganda, aberta ou velada. Essas formam vão da pesquisa forjada à prática de classificar pesquisas efetivamente realizadas ou verdadeiras, como se fossem falsas. Dentre as principais evidenciadas ao longos dos anos destacam-se: a) Pesquisas falsas Uma primeira modalidade, que surge com alguma freqüência, consiste no forjamento de pesquisas, fazendo com que seus “resultados” cheguem ao público, via meios de comunicação, blogs, via panfletagem ou outros mecanismos. A rigor, balões de ensaio. “Se colar, colou”. b) Pesquisas sem capacidade de generalização Uma segunda e largamente utilizada forma consiste na realização de “enquetes”, “prévias” ou “pesquisas” mesmos, utilizando um mecanismo de sofisticação como a Internet ou concentrando as entrevistas em pontos sabidamente favoráveis a determinada candidatura, podendo ser na porta do colégio, entre funcionários de um hospital, num sindicato, na saída de um culto religioso e assim por diante. Essas “pesquisas” tem em comum um pecado capital: a sua falta de representatividade, já que não se baseiam em uma amostragem probabilística, em que todos os eleitores, teoricamente, teriam as mesmas chances de participar dessa “pesquisa”. A rigor, quando apresentadas como tendências do eleitorado, não passam de estratégias “espertas” com o propósito de induzir pessoas com menor grau de informação. c) Pesquisas fora do lugar ou defasadas Outra modalidade de fazer da pesquisa propaganda consiste em não fornecer corretamente dados que informam sobre a qualidade e o grau de confiança que uma pesquisa deve merecer, especialmente, o período de realização da entrevista. Essa estratégia é utilizada, quase sempre, para sustentar uma situação em processo de corrosão. Por exemplo, seis meses antes da eleição uma candidatura apresenta determinado patamar de intenções de voto. Com o passar do tempo, esse percentual cai. Todavia, os estrategistas, por vezes, são tentados a divulgar os resultados velhos como se fossem os do momento da divulgação. d) Pesquisas que associam expectativa de vitória com intenções de voto Outra modalidade consiste na divulgação de resultados que não são exatamente de intenções de voto, mas o eleitor menos atento acaba por interpretá-los como se o fossem. O exemplo mais comum é a divulgação da expectativa do eleitor quanto ao ganhador da eleição, através da pergunta sobre quem irá ganhar as eleições. Todavia, essa pergunta reflete basicamente volume de propaganda internalizada pelo eleitor, não propriamente intenções de voto. Aqui, a massificação da propaganda tem o poder de infundir a idéia de que o nome veiculado, ainda que o eleitor pessoalmente não vá votar nele, que ele será o vencedor. e) Classificar pesquisas autênticas como falsas Na prática, todo político sabe que é mais fácil atribuir seu desempenho insuficiente às pesquisas do que a sua incapacidade de conquistar o coração do eleitor. Em casos em que a realidade, com seus eleitores, mostra-se arredia às pretensões de uma candidatura, quando da divulgação destas, essa candidatura, num mecanismo de defesa, apela à desqualificação da pesquisa divulgada e do próprio instituto. Como o papel branco aceita qualquer informação e como qualquer microfone reproduz qualquer discurso, fica relativamente fácil desqualificar uma pesquisa e seu instituto. f) pesquisas regulares e pesquisas oportunistas As empresas de comunicação sustentam a divulgação dos resultados de pesquisas eleitorais, mesmo após o término nas campanhas e na véspera ou dia da própria eleição, no direito à informação do leitor-eleitor. Ignoram a igualdade de condições de disputa, dado que essa divulgação penaliza as candidaturas pior posicionadas na disputa, induzindo o voto útil, por exemplo. Na última eleição presidencial, em 2010, tivemos pelo menos quatro institutos divulgando pesquisas a nível nacional. Nos anteriores, praticamente havia apenas dois, o Ibope e o Data Folha. Com vários institutos divulgando pesquisas com poucos dias de diferença, começaram a emergir algumas diferenças aqui e acolá. Ainda que isso não seja bom para os institutos, parece bom para a democracia, porque tira o poder das pesquisas como “verdade”, colocando-a no lugar correto, uma fonte de referência. Repito, a discrepãncia é boa para a democracia, porque recolo no próprio eleitor a decisão final, já que a baliza pesquisa revela incosinstência, exigindo reflexões e reposicionamentos. Quando um veículo de comunicação e instituto definem um calendário de pesquisas e esse é respeitado, estamos diante de um quadro positivo, a pesquisa é, enquanto divulgação, informação acima de tudo. Todavia, quando uma pesquisa é divulgada apenas após seus resultados serem conhecidos pelos seus encomendantes, estamos diante de pesquisas oportunistas. Seu propósito não é informação, mas propaganda. Em minha opinião, a Justiça Eleitoral somente poderia autorizar a divulgação das pesquisas regulares, definidas antes do período eleitoral, uma vez que se o objetivo for realmente informar, não há necessidade de se esperar pelos resultados. Quando a divulgação depende dos resultados, não é necessário muita análise para se concluir que a motivação não é informar, mas FAZER propaganda. Sendo assim, uma exigência de calendário de divulgação de pesquisas eleitorais seria suficiente para expurgar pesquisas-propaganda. Pesquisas-propaganda geram prejuízos. Observa-se que dificilmente a neutralização de fatos como uma divulgação é possível, e quando o é, raramente o é na extensão em que foi sofrido o prejuízo, muitas vezes por falta absoluta de tempo físico. E como o resultado das urnas parece absoluto, sagrado, intocável, os meios de que alguém se valeu para conquistar o poder, contados os votos, já não contam ou contam mediante um difícil processo judicial. E mais: quem contra isso tentar oposição, passa sua contestação a ter outras conotações: de mau perdedor, de choro entre outras. No entanto, a forma como uma eleição é ganha aponta para a natureza da gestão que se seguirá. (Por Agenor Gasparetto. Extraído da Revista Primeiras & Melhores, agosto de 2011)
Escrito por Agenor Gasparetto às 13h59
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Política & Pesquisa 334 Eleições e pesquisas eleitorais Daqui a pouco mais de um ano, no primeiro domingo de outubro de 2012, o Brasil estará elegendo ou reelegendo prefeitos e vereadores. Parte do permanente processo de renovação, via eleições, os quadros que comandarão o executivo municipal e as Câmaras de Vereadores. A propósito, seguem algumas ponderações. Senso e bom senso Enquanto parte interessada nos resultados do processo eleitoral, tendemos a ser todos senhores das nossas verdades. Sobra-nos, aos nossos olhos e aos nossos julgamentos, bom senso. Não raro, por outro lado, parece-nos ele escasso nos outros e nas suas decisões, particularmente eleitorais neste Brasil em que é muito comum se ouvir que o povo “não sabe votar”, que é “analfabeto político” e assim por diante. Ademais, sobra complacência (como somos imparciais!) para os nossos aliados e simpatizantes e, no quadro em branco dos adversários, falhas e deméritos se agigantam e, por vezes, nos cegam. Filtramos ao nosso bel prazer as informações, truncadas e poucas às vezes, que nos chegam, a verdade vem dos nossos e as mentiras e falsidades, dos outros. Democracia é boa, desde que nos corrobore. Um pouco de hipocrisia tempera a prática democrática. Conquista e perda do poder Da perspectiva dos postulantes aos cargos majoritários, no caso, prefeitos, parecem cada vez mais oportunas, porque elucidativas para os nossos dias, as palavras do pensador e político francês, do Século XIX, Aléxis de Tocqueville: “Quando me proponho a procurar, em diferentes épocas, nos diferentes povos, a causa eficiente que provocou a ruína das classes que governaram, distingo com clareza um certo acontecimento, um certo homem, uma certa causa acidental ou superficial, mas, acreditem, o motivo real, a causa mais eficiente que leva os homens a perderem o poder, é o fato de se tornarem indignos de exercê-lo” (político e pensador francês Alexis de Tocqueville, 1848). Reeleição No que tange ao estatuto da reeleição, introduzida no cenário brasileiro pelo ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, obcecado pelo poder, que não mediu esforços para a sua aprovação, observa-se o seguinte: Analisamos, em dois trabalhos[2], essa questão tomando como referência a eleição municipal de 1996, na Bahia, a primeira eleição com reeleição. Dentre os resultados principais, destacamos que, em si, a reeleição não seria ruim para a sociedade, porque parece mais fácil um prefeito fazer sucessor sendo mal avaliado do que se reeleger. Havia, porém, um problema: como separar campanha e gestão do ocupante do poder ? E isto por uma razão principal, o cenário de fundo da decisão do eleitor passa pela avaliação do administrador. Ocupantes do poder têm recursos e estrutura a seu dispor invejáveis, particularmente propaganda. Há uma assimetria muito grande entre o detentor do poder e os demais postulantes. Este é o problema, de muito difícil resolução. Aparentemente, a solução passa pelo fim da reeleição. Naqueles trabalhos, chegamos a definir quantitativamente parâmetros que parecem, enquanto regra geral, estar sendo confirmados em cada eleição. Para um prefeito se reeleger, arredondando, é preciso que sua avaliação tenha pelo menos 40% de avaliação positiva (conceitos ótimo e bom) e tenha menos de 25% de avaliação negativa (conceitos ruim e péssimo), ou seja, uma proporção de pelo menos dois eleitores avaliando positivamente sua administração para cada um que a avalie negativamente. Conceito regular O conceito regular, em última instância, em momentos de decisão, como as eleições, apesar do esforço de alguns para desdobrá-lo em regular-mais e regular-menos além do regular-regular, tende a assumir sinal negativo. Quando o regular assume sinal positivo é porque a escolha estará entre um regular e outro ruim, ou seja, uma situação de falta de opção, rara na percepção do eleitor, sobretudo se entre os postulantes há alguém novo na política com trajetória positiva em outros campos da atividade humana. Obviamente, isto não equivale dizer que todas as avaliações positivas serão compulsoriamente convertidas em votos para o detentor do poder executivo e nem que todas as regulares e negativas não o serão. A Matemática da política tem lógicas próprias e não muito exatas. Contudo, o somatório de votos tende a se aproximar do percentual de avaliações positivas. Como se ponderou acima, é possível que alguém avalie ruim uma administração e as opções lhe pareçam piores. Da mesma forma, alguém pode avaliar boa uma administração mas ter a convicção de que o outro será melhor. No fundo, há sutilezas na percepção do cidadão-eleitor. No dia 07 de outubro de 2012, primeiro domingo do mês, teremos novas eleições para prefeito e vereadores no país. Veremos mais uma vez as táticas e estratégias digladiando para conquistar corações e mentes. E, fechando, Tocqueville continua atual e nos faz pensar. (Por Agenor Gasparetto. Extraído da Revista Primeiras & Melhores, agosto de 2011)
Escrito por Agenor Gasparetto às 11h38
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