Política, Pesquisa, Literatura e Afins
  

Política e Pesquisa 227

 

Olhos no céu

Na tarde do dia 25 de novembro, sete aviões da Esquadrilha da Fumaça, da FAB, prenderam a atenção de muitos itabunenses com suas manobras no céu azul de Itabuna. O itabunense ganhou um espetáculo tendo como pano de fundo um azul sem nuvens de uma bela tarde de sol.

 

Olhos no terra

A partir do dia anterior, os noticiários começaram a estampar Itabuna como a cidade número 1 em risco de violência e morte de jovens de 19 a 24 anos de idade, dentre 266 cidades brasileiras com mais de 100 mil habitantes. Entre as 10 mais dessa tragédia, Itabuna está acompanhada por outras duas cidades baianas: Camaçari e Teixeira de Freitas. (Pesquisa da Fundação Sistema Estadual de Análise de Dados (Seade), em parceria com o Ministério da Justiça, Instituto Sou da Paz, Instituto Latino-Americano das Nações Unidas para a Prevenção ao Delito e Tratamento do Delinquente (Ilanud).  

 

Honduras

Obama e Lula em posições diferentes na solução do caso hondurenho. Lula insiste em não reconhecer o resultado da eleição do próximo domingo, pois isso seria legitimar o golpe contra o presidente deposto Zelaya. Obama, pragmático, parece estar preferindo fechar o olho para o passado e crer que a nova eleição, mesmo sendo conduzida por um governo golpista, pode representar uma efetiva superação dessa crise nessa pequena república centro-americana. Parece se tratar de uma disputa entre idealismo versus realismo. Enquanto isso, Honduras vai vivendo tempos de incerteza.

 

Prêmio Primeiras & Melhores

O dia 4 de dezembro, dia mundial da propaganda, está por demais próximo para que o evento de premiação Primeiras & Melhores aconteça. Será como no ano passado adiado.

 



Escrito por Agenor Gasparetto às 12h54
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Política e Pesquisa 226

Bahia de Todas as Letras

A 4ª edição do concurso literário Bahia de Todas as Letras apresenta os classificados em todas as cinco categorias. Oportunamente será divulgado o evento de premiação. Abaixo, os resultados.

RESULTADO DA 4ª EDIÇÃO DO BAHIA DE TODAS AS LETRAS

A 4ª edição do concurso literário Bahia de Todas as Letras, realizado pelas editoras Via Litterarum e Editus, da UESC, com patrocínio para os primeiros colocados da Fundação Chaves, que teve inscritos 135 autores em cinco categorias conclui a fase de avaliação dos trabalhos inscritos.

 

Inscritos e aprovados por gênero:

Poseia, 64 inscritos, apenas 4 autores classificados, percentual de 6%.

Conto, 51 inscritos, apenas 13 classificados, percentual de 25%.

Cordel, 7 inscritos, 3 obras classificadas, percentual de 43%.

Crônica, 11 autores inscritos, 6 classificados, percentual de 54,5%.

Ensaio literário, apenas 2 inscritos e os dois foram aprovados, percentual de 100%.

Do total de 135, os trabalhos classificados somam 25, percentual de 18,5%.

 

Observa-se que nos gêneros poesia e conto os avaliadores classificaram poucas obras, enquanto que nas demais categorias, proporcionalmente aos inscritos, a classificação com média 7 foi relativamente alta. Registra-se que toda avaliação tem elevado grau de subjetividade. Um autor não ser classificado por uma comissão não significa necessariamente que suas obras não tenham relevância ou mérito literário. Isto significa apenas que para os integrantes da mesma, a obra não obteve média 7. A propósito, continuam avaliações discrepantes, o que revela o grau de subjetividade, sobretudo no gênero poesia. Um outro dado animador é que é bastante comum autores vencerem após anos de inscrição. Este fato também ocorreu nesta edição. Classificados e vencedores nesta edição já se inscreveram e não obtiveram êxito em edições anteriores.

 

RESULTADOS:  (A ordem dos trabalhos classificados é aleatória)

 

Observação: Nesta edição foram classificadas obras de autores com média sete, considerando as três melhores notas dentre as quatro recebidas dos avaliadores.

 

Ensaio literário:
Pseudônimo Mazé: obra:  Um caso de amor na Cidade de Salvador da Baía de todos os

                                            Santos. Vadinho versus Dona Flor versus Teodoro Madureira

Pseudônimo Telcatlipoca: obra:  A guerra na trilogia do cacau de Jorge Amado


Cordel:
Pseudônimo Veneno: obra A peleja virtual entre dois poetas arretados
Pseudônimo 4 Amigas: obra O Mar de Luis
Pseudônimo Lucy Regis: obra Gabriela, sem cravo e sem canela

Crônica: cada autor inscreveu três trabalhos sendo avaliado o conjunto.
Pseudônimo  Maneco: obras Mentiropédia, Eu tenho medo de mulher e Auxílio – Funeral
Pseudônimo Borboleta Amarela: obras Santa Lúcia, Aluguel e Colheita
Pseudônimo Buterfly: obras Louca, mas...Quem não é?, Outono solitário e Roça
Pseudônimo J. Pinheiro: obras Poesia de Malandro, Valha-me Deus e País dos empoleirados
Pseudônimo Argôlo: obras Suicídio telefônico, Literatura Virtual e Procrastinação
Pseudônimo Cavalheiro Noturno: obras A Velha do ônibus, A tela e Máquina mortífera

 

Poesia: cada autor inscreveu três trabalhos sendo avaliado o conjunto.
Pseudônimo Nina: obras Húmus, Medidas inventadas e Prelúdio colegial
Pseudônimo Stoenesco: obras Revisão de uma noite hai cai, Poesia póstuma num poema vivo e Confronto
Pseudônimo  Diana: obras Herança, Quase e Amores
Pseudônimo Veneno: obras Procura, O credo de Don Juan e Monólogo de Don Juan

 

Conto:
Pseudônimo Amaro,  conto :Amaro

Pseudônimo Estrelinha, conto :Os Urubus

Pseudônimo Anjo Zen, conto :Retrocesso

Pseudônimo Nicásio Pereira, conto :Os vizinhos da Rua Lago

Pseudônimo Nadson, conto :O morto que não foi enterrado

Pseudônimo Vicente Furtado, conto :O terminal

Pseudônimo Cindylis, conto :A coleção de Bonecas

Pseudônimo Angel, conto :A formiga vai à escola

Pseudônimo DR,conto :O mergulho

Pseudônimo Glauber,  conto :A locomotiva

Pseudônimo Antenado, conto :Quem nunca tirou meleca do nariz?

Pseudônimo W. Neto, conto :O velho

Pseudônimo Minino de Livramento, conto :Sobras de Cacau

 



Escrito por Agenor Gasparetto às 20h28
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Política e Pesquisa 225

20 anos sem o Muro de Berlim-1

O ano de 1989 foi um ano divisor de águas na política internacional. Caiu, repentinamente, naturalmente, o famigerado Muro de Berlim, construído em 1961, separando a população de Berlim em duas partes, incomunicáveis. Mais de 160 quilômetros de muros e cercas de arame farpado, a rigor, um muro duplo com um vão entre os dois, com fosso, minas e outros elementos para impedir fugas do berlinense oriental para o eldorado ocidental. No entanto, há 20 anos o muro foi varrido. A Alemanha, enfim, reunificada. Reunificação ainda a caminho, em que pese mais de um trilhão e meio de euros investidos no lado oriental, visando homogeneizar os dois lados. Mesmo assim, hoje, estima-se que a renda per capita da ex-Alemanha Oriental, apesar de todos os investimentos, ainda é cerca de 70% da renda do habitante da Alemanha Ocidental. O Muro caiu porque o sistema que o sustentava já não podia se sustentar a si próprio. A propósito, a União Soviética implodiu dois anos depois, em 1991. Na história do fim da então Cortina de Ferro e do fim do Muro de Berlim merece destaque um personagem, o então dirigente da ex-União Soviética, Mikhail Gorbachev, que atuou no sentido de abrir caminho para os novos tempos, em seu próprio país e nos países da Cortina de Ferro.       

20 anos sem o Muro de Berlim-2

Se o Muro de Berlim já faz parte da história, se o mundo, tecnologicamente, mudou muito desde então, talvez não tenha mudado tanto assim, em todos os planos e em todos os quadrantes do Globo. Desde 1989, ditaduras se exauriram e foram varridas (Chile, Filipinas entre outras), a Globalização ganhou terreno, a Internet mostrou seu poder e seu perigo, mas a crise do sistema capitalista explodiu e reposicionou Estado e Mercado. Com ela, acabou a ilusão do paraíso (neo)liberal, se é que este realmente existiu. 20 anos depois da queda do muro que dividiu alemães de Berlim, simbolizando como nenhum outro elemento a tensão da Guerra Fria, o mundo construiu outros muros, um separando palestinos de israelenses, um outro na fronteira Estados Unidos e México, e a Europa, que viu pela tevê o fim do Muro de Berlim, viu as moedas de seus países se unificarem e viu o projeto de unificação do continente dar novos e decisivos passos, também vem construindo, pelo xenofobismo, um muro legal que margeia todo seu território, não mais uma cidade, mas um continente. A queda do Muro de Berlim parece representar o fim de um período denominado Guerra Fria, que tem nas Coréias ainda divididas o seu principal testemunho vivo, secundado por um anacrônico isolamento econômico de Cuba, outro sobrevivente. O mundo, desde 1989 mudou muito, mas persistem os elementos, destacando-se a desigualdade social e a pobreza, que entre outros motivaram, por exemplo, a revolução russa de 1917, ou seja, a história segue seu curso inexorável, e não sabemos quais serão os capítulos que advirão. Hoje, seguramente, faz sentido comemorar o fim de um muro, que significou libertação para muitos. Depois das justas comemorações, porém, teremos que pensar nos muros que foram erguidos depois e estão sendo erguidos. Afinal, muros são muros. A sua simples existência é um sintoma de um mal-estar, de alguma coisa não bem resolvida. Uma Globalização com muros é uma Globalização incompleta, a rigor, não o é. Talvez não seja mais  do que uma caricatura, ou de um esboço.



Escrito por Agenor Gasparetto às 17h33
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Política e Pesquisa 224

 

Rio de Janeiro-1

Nas últimas semanas, o Rio de Janeiro revelou ao mundo suas duas facetas, o melhor e o pior. A alegria contagiante da conquista da condição de cidade olímpica, uma publicidade incomparável e somente possível graças a uma olimpíada, e a barbárie representada pelo submundo do crime e das drogas e a brutalização que lhe é inerente. Esse é o Rio de Janeiro, de múltiplas faces. Esse é o Brasil com suas desigualdades. O Rio de Janeiro da Copa do Mundo de 2014 e das Olimpíadas de 2016 tem diante de si um imenso desafio, humanizar suas mais de mil favelas, quem sabe, aproximando-as, como falou o presidente no calor da conquista da indicação como cidade-sede da Olimpíada de 2016, em bairros.

 

Rio de Janeiro-2

O problema é que o Rio de Janeiro não é apenas uma cidade. O Rio de Janeiro é uma miniaturização do Brasil. E a América Latina, em especial o México, e os Estados Unidos, com seu apetite consumista de drogas, exigem que se repense esse problema bem além da repressão. Cada vez mais, parece que somos obrigados a conviver com barbarismos crescentes com o mundo novo aberto pelas novas tecnologias. Um mundo em que aumentam cercas e estratégias individuais de segurança, na ilusão de que ainda é possível uma efetiva proteção.

 

Prêmio Nobel da Paz

Bush inaugurou a Guerra Preventiva. A comissão que escolhe os vencedores do prêmio Nobel da Paz concedeu esse prêmio não tanto pelo que Barack Obama conseguiu realizar (e já realizou algumas coisas importantes, como à renúncia ao escudo na Europa Oriental que deixava a Rússia em sentimento de ameaça, ainda que os Estados Unidos alegassem Irã e Coréia do Norte, trazendo à lembrando a fábula do lobo e do carneiro, mas sem convencer o urso, conferiu aos Estados Unidos uma postura mais cooperativa e menos unilateral, que não é pouca coisa). Contudo, Barack Obama recebe um prêmio que deixa a muitos surpresos, ele próprio provavelmente. Recebe um prêmio em meio a um processo de retirada de tropas no Iraque e um aumento delas no Afeganistão, em uma guerra difícil de vencer, uma vez que mais do que ser contra um grupo, é contra uma identidade cultural representada por esse grupo. Seguramente, a incorporação à política do Talibã parecia mais promissora do que seu enfrentamento e tentativa de aniquilação. A menos que consiga deslegitimar essa identidade, americanos e outros estrangeiros serão sempre vistos como corpos estranhos nesse perdido lugar do mundo, encravado entre cordilheiras. O Nobel da Paz é, definitivamente, uma premiação política.

 

Honduras

Enquanto isso, na pequena Honduras, prossegue se arrastando uma situação atípica. Um governo golpista se recusando a devolver o poder a quem foi legitimamente eleito. Esse processo arrasta-se, ainda que prossigam as negociações. É possível que as eleições previstas encontrem o país nesse impasse. Sairá Micheleti e entrará um governo eleito em circunstâncias não normais. Então, estará criada uma nova situação, uma vez que paira a ameaça do seu não reconhecimento pelos integrantes da OEA.



Escrito por Agenor Gasparetto às 10h32
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Política e Pesquisa 223

Mancharam o paraíso, por Daniel Thame

Oportuno e necessário o texto-editorial desta quinta-feira, 24 de setembro de 2009, publicado pelo jornal Diário e integrante do blog do seu autor, jornalista Daniel Thame. O texto MANCHA VERMELHA NO PARAÍSO pode ser lido na íntegra no www.danielthame.blogspot.com. É incrível como a intolerância e a incapacidade de estabelecer uma relação civilizada tenha resultado na morte por assassinato, após emboscada, de dois professores, militantes sindicais, na paradisíaca Porto Seguro. Porto Seguro não mereceu esse triste episódio e não merecerá que fique impune.

Aprender línguas estrangeiras

Afora as escolas tradicionais de ensino de línguas estrangeiras, a Internet emerge cada vez mais como um grande contribuinte a aprendizagem. Há boas opções de aprendizagem para quem não tem condições de freqüentar cursos regulares e nem fazer intercâmbio. Obviamente, ajudará e muito também para esses que poder fazer intercâmbio e fazer cursos regulares. Caso você tenha interesse, faça uma tentativa. Sugiro www.livemocha.com. E escolha do espanhol ao russo passando pelo alemão, ou

o inglês ao japonês passando pelo árabe ou pelo urdu. Ainda que o desespero compareça em seu horizonte, mantenha a serenidade e seja paciente e persistente. Ou pelo menos tente.

 

Primeiras & Melhores

Nova edição do prêmio Primeiras & Melhores, 11ª edição, em andamento.

 

Bahia de Todas as Letras

A organização do concurso literário Bahia de Todas as Letras ainda está aguardando os resultados da avaliação dos trabalhos inscritos. Tão logo tenhamos todos os resultados, esses serão tornados públicos.



Escrito por Agenor Gasparetto às 11h06
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Política e Pesquisa 222

 

O fenômeno Lula e a sucessão presidencial

Na sua reeleição, lembrando, Lula não participou de debates entre os então candidatáveis. Estava no auge da crise do Mensalão, ambulâncias e outras corrupções que ganham mais relevo em tempos eleitorais. No segundo turno com Alckmin, debateu e Alckmin viu seu eleitorado encolher do Primeiro para o Segundo Turno daquela eleição, apesar dos apoios que recebeu. Um dos pontos fortes de Lula foi e é sua capacidade de comunicação. Lula é um “animal midiático”.

Neste momento, há praticamente um ano de sua sucessão, fase final de seu segundo mandato consecutivo, o governo Lula ostenta quase 70% de aprovação.

Olhando apenas o político, esquecendo posicionamentos prós ou contra, não há como negar que Lula parece ter a desenvoltura de quem está começando um governo. Poucos tem a sua determinação. Nesse sentido, quer se goste ou não dele, não há como negar de que esse nordestino é realmente um “animal político”, literalmente falando, como o definiria o velho Aristóteles da Grécia da Antiguidade.  

Mesmo assim, mesmo mantendo esses patamares de aprovação até o final deste seu segundo mandato, Lula pode não fazer sucessor. Isto porque é preciso que o apoiado cumpra sua parte no processo. Enquanto o apoiado não fizer por merecer a confiança do eleitor, Lula poderá apenas fazer metade do processo de transferência, mas essa poderá não se consumar. O eleitor poderá abortar a idéia e o voto. Naturalmente, José Serra, principal nome da oposição, pode ser o merecedor da confiança do eleitor. Contudo, Serra poderá ter uma pedrinha em seu sapato nesse processo. Seu nome é Yeda Crusius, governadora do estado do Rio Grande do Sul, de seu partido, do PSDB. Não creio que Yeda vá ser cassada, mas será exaurida lenta e inexoravelmente. E a pedrinha poderá ficar maior. Em suma, é cedo para conclusões. Novidades são sempre possíveis ainda que o tempo pareça escasso.

 

Carros de passeio a óleo diesel

O sonho de muitos brasileiros é ter carro de passeio (mais trabalho do que passeio, para quase todos, obviamente) movido a óleo diesel. O governo argumenta não ser isso possível uma vez que o diesel é um combustível subsidiado. Efetivamente, não parece justo que todos os brasileiros paguem diesel subsidiado para poucos usufruírem. Contudo, se o brasileiro for muito rico e importar um carrão do exterior movido a diesel, aí pode abastecer, sem constrangimentos. Pobrezinhos. 



Escrito por Agenor Gasparetto às 16h46
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POLÍTICA E PESQUISA 221

 

O PESO DE HONDURAS

O que representa Honduras para o mundo? Economicamente, muito pouco. Em todos os parâmetros, muito pouco. Politicamente, muito pouco. O que acontece em Honduras tende a pesar muito pouco para o mundo. No entanto, em um ponto, Honduras pesa e pesa muito.

De uma perspectiva democrática, o peso de Honduras situa-se no referencial simbólico, o peso do precedente. Neste aspecto, Honduras representa e, muito. Se o desfecho do episódio do golpe de estado resultar na restauração da institucionalidade democrática, ou seja, o respeito do poder oriundo da única fonte de legitimadora do exercício do poder, o povo, expresso nas urnas, Honduras poderá demarcar um novo tempo. Do contrário, o sinal será claro para todos e quaisquer postulantes a usurpar do poder em qualquer um dos quadrantes deste mundo globalizado. Portanto, o desfecho do golpe de estado em Honduras, aos pés e sob os olhos da ONU, e de seu todo-poderoso Conselho de Segurança, hoje em assembléia geral e discursos, na vizinha Nova Yorque, possui importância ímpar, singular. Pode ser pouco, mas, creia, é muito.

 

O PESO DO BRASIL  

Zelaya, presidente deposto de Honduras, numa operação ainda insuficientemente explicada, aportou na embaixada brasileira, em Tegucigalpa. E colocou o Brasil em teste. Para quem pleiteia um lugar permanente no Conselho de Segurança da ONU, como o Brasil, eis um teste real. E Lula, em seu discurso, bem como o embaixador brasileiro, estão tentando chamar a atenção para a gravidade do problema. Contudo, o mundo parece pouco atento e pouco interessado. Há questões mais graves e mais relevantes, como a crise mundial, a crise climática, por exemplo. No entanto, o retorno de Zelaya à capital hondurenha tensiona e expõe ao mundo a situação anormal desse país e o Brasil vive momento delicado em sua política externa. Caso o governo interino decida atropelar o direito internacional, invadindo a embaixada brasileira, abre um precedente grave. Se uma invasão resultar em mortes, piora. Enfim, o tempo está se esgotando. Pretextos para abusos são fáceis de produzir.

 



Escrito por Agenor Gasparetto às 15h09
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Política e Pesquisa  220

 

ÁLVARO URIBE, BASES AMERICANAS E AMÉRICA LATINA

Álvaro Uribe, presidente eleito em 2002 e reeleito em 2006 da Colômbia, após mudar constituição, ratificada por referendo popular (assim como Fernando Henrique Cardoso-FHC- fez no país, ainda que sem referendo), tenta agora a sua segunda reeleição, mudando novamente a Constituição e convocando novo referendo, precisando de pelo 25% dos votos. A oposição fará campanha pela abstenção, para que não alcance esse percentual, cerca de 7 milhões de votos. Ainda precisará que Corte Constitucional do país valide essa pretensão. O encaminhamento do terceiro mandato consecutivo de Uribe, ao contrário da vizinha Venezuela de Hugo Chaves, parece não causar estranheza em nossa grande mídia. Não há nenhuma demonização de Uribe e suas pretensões de se eternizar no poder. Essa tentação já acossou Menen, na Argentina, Fujimori no Peru, Chaves na Colômbia, levou FHC a tentar um plebiscito para mudar o sistema brasileiro de presidencialista para parlamentarista, para com isso, quem sabe, fazer o que Putin, na Rússia, logrou fazer, ou seja, sair da cadeira de presidente e assumir a de primeiro-ministro. O fato é que o poder é um visgo por demais forte. No país, até recentemente ouviam-se murmúrios a favor de um terceiro mandato para Lula. Esse, se acontecer, será em 2014, intercalado por outro presidente.

Uribe, ao abrir as portas para seis bases militares em que os Estados Unidos poderão operar no país, com a justificativa de combater o terrorismo e o narcotráfico encerra potencial ameaça de produzir uma turbulência política no subcontinente com decorrente corrida armamentista, boa para vendedores de armas e ruim para a viabilidade de um projeto de longo prazo de realização nesse espaço, como reza nossa Constituição, de “uma comunidade latino-americana de nações”. A Colômbia assegura que as operações a partir das bases serão apenas em território colombiano, dizendo respeito à soberania do país, razão pela qual não precisava consultar ninguém da região a respeito antes. Contudo, num recente incidente, com o propósito de atacar guerrilheiros, a força aérea colombiana invadiu território equatoriano, provocando a reação desse país. Pessoalmente, a melhor solução, agora que o subcontinente criou a Unasul, é que a própria região se organize para dar suporte à superação do problema da guerrilha colombiana e do narcotráfico, que tem na ponta consumidora o principal sustentáculo. Essa solução contém menos riscos de turbulências à estabilidade regional do que uma presença forte do país que é a principal força bélica do mundo.  A polarização que se desenha faz algum tempo pró-Estados Unidos e contra Estados Unidos, tendo como cabeças regionais Colômbia e Venezuela não parece boa. Perde o Brasil que vê seu poder de liderança minimizado, assim como seu projeto de integração. A polarização mais desejável teria que ser encabeçada pelo país, buscando solução regional para os seus problemas, blindando a região de interferências externas, ampliando sua condição de região livre de conflitos e distante de ameaças reais de confrontos bélicos. Em última instância, um Brasil forte e legitimado como líder, seria também a melhor alternativa para os Estados Unidos, que poderiam se concentrar em outros focos de tensão do mundo e contribuir para a sua superação, uma vez que a estabilidade é necessária aos investimentos e ao desenvolvimento e à retomada do crescimento econômico, que a presente crise vem comprometendo. 

Por fim, lembrando, o último conflito no subcontinente deu-se entre os países mais pobres, em 1932, na triste Guerra do Chaco, entre Paraguai e Bolívia. No século anterior, dois conflitos, a Guerra do Paraguai, envolvendo Brasil, Argentina e Uruguai contra o Paraguai, e a Guerra do Pacífico, em que o Peru perdeu Arica e a Bolívia perdeu sua saída para o mar e que deseja ardentemente recuperar. Afora isso, uma rusga entre Chile e Argentina pelo Canal de Beagle, no extremo-sul do continente e em tempos de militares governando um lado e outro dos Andes, após golpes militares. Além disso, a patética Guerra das Malvinas, em que o governo militar argentino, em processo de enfraquecimento, tentou se relegitimar erguendo a bandeira das Malvinas serem ilhas argentinas e não inglesas. Nossa tradição, ao contrário de outras regiões do mundo, é de estabilidade ainda que campeando a pobreza e a corrupção de governos e vários golpes de estado pipocando em vários países ao longo do Século 20. Contudo, agora que os golpes, felizmente, estão em baixa, como revela o recente na pequena Honduras, a tentação é a perpetuidade no poder mediante estratégias legais, como reeleições sucessivas.  

 

CRISTÓVAM BUARQUE E VEREADORES

O senador Cristóvam Buarque está propondo reformulações numa hipotética reforma política. Entre as propostas, a gratuidade do trabalho dos vereadores, pensados como conselheiros municipais, nos municípios em que há apenas um turno, ou seja, em que há menos de 200 mil eleitores. Sobre esse assunto fiz vários comentários em tempos passados. Um dos problemas da política, incluindo no plano municipal, é a crescente mercantilização. O problema, a meu ver, como já foi explicitado, não está no número de vereadores em uma câmara municipal, mas no caráter mercantil que assumiu o processo eleitoral e o exercício do mandato. Parece pouco democrático reduzir número de vereadores, como se fez, sem reduzir repasse da prefeitura à câmara de vereadores. Com isso, apenas se diminui a representatividade política e se aumenta o poder de fogo dos que acabam sendo eleitos. A retomada da discussão parece bom, quem sabe também aos cofres públicos e também à representatividade política das comunidades.



Escrito por Agenor Gasparetto às 18h02
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Política e Pesquisa  219

 

Bienal do Rio

Nova edição para a Bienal do Livro do Rio de Janeiro. A editora, numa parceria com a Câmara Baiana do Livro, participará com o autor Jorge de Souza Araújo.

 

O Pêndulo de Euclides

No centenário de sua morte, Euclides da Cunha ganha os olhares atentos de muitos. Na Bahia, o professor e escritor Aleilton Fonseca lançará o romance O Pêndulo de Euclides, editado pela Bertrand, do Rio de Janeiro. O romance centra-se sobre a Guerra de Canudos e o livro Os Sertões, de Euclides da Cunha. O livro será lançado na Academia de Letras da Bahia neste mês de setembro.

 

Dois fragmentos de O Pêndulo de Euclides

Do romance, destaco dois trechos em protagonistas discutem o valor dos cordéis encontrados dentre os espólios da guerra pelos soldados:

1 - “O mais pobre dos saques que registra a história”

“ – Euclides afirma que após a guerra os soldados fizeram uma devassa nas casas em ruínas, curiosos, em busca dos despojos. Fizeram o que ele chamou de “o mais pobre dos saques que registra a história”. Encontraram imagens mutiladas, rosários de cocos e os “desgraçados versos”. São mesmo “pobres versos muito malfeitos”, que nem de longe representam a qualidade poética de cordel do sertão.”

2 – “A luta necessária ...” e o “erro histórico”

A propósito de uma visão negativa de Euclides da Cunha do ideário sertanejo, como as idéias contrárias à República, “resultantes do atraso cultural, da ignorância da população sertaneja”, o protagonista Alex dá uma nova interpretação:

“- Paradoxalmente, a visão negativa de Euclides sobre os sertanejos joga a favor de Canudos. Eles não tinham formação e informação para entender as ideias republicanas. Portanto, não eram inimigos da República, mas sim seus credores em termos de ensino e assistência. Por isso, Euclides conclui que os sertanejos requeriam outra reação do governo. Ou seja, a luta necessária não seria aquela da forma militar e dos canhões, mas sim através da educação, das letras, das luzes, do progresso e da cidadania. A partir disso, Euclides interpreta a intervenção militar como um erro histórico, como um crime da nacionalidade contra patrícios, de que seu livro se torna uma grande e ruidosa denúncia.”

 

“A luta necessária ...” e outros “erros históricos” ?

A narrativa bíblica começa com um Paraíso, um Jardim do Édem, e termina numa mega tragédia, num Apocalipse. Há quem diga que a imagem do paraíso terrestre e seu Jardim do Édem se situaria na babilônia. Concretamente, lá é que foram construídos os Jardins Suspensos da Babilônia, uma das maravilhas do Mundo Antigo. E em toda intervenção militar, ainda para ficarmos na Babilônia de hoje, para muitos o apocalipse é real.

Curiosamente, essa passagem sobre Canudos insiste em trazer à lembrança à Guerra do Iraque, apenas para fazer referência, não ao apocalipse de muitos milhares de iraquianos e suas famílias, mas para fazer referência ao Jardim do Édem que poderia ser aquela rica região, berço das mais antigas civilizações humanas. No caso do Iraque, é possível pensar que a intervenção militar também foi um erro histórico e que a intervenção poderia ser de outra natureza?

 



Escrito por Agenor Gasparetto às 18h01
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POLÍTICA E PESQUISA 218

OLHOS AZUIS DE NOVO

Comentário de Arthur Nehrer sobre o livro Olhos Azuis, feito após a apresentação do escritor e ensaísta Jorge de Souza Araujo, denominado “Fios desencapados” (inserção neste blog número 137, em 16 de março de 2008).  Na inserção nº 150, de 28 de abril de 2009, está a entrevista concedida pela autor de Olhos Azuis, Noclides Justino, a Jorge de Souza Araujo, que também está presente no referido livro. Abaixo comentário de Arthur Nehrer sobre o livro.

[Arthur Nehrer] [hotnehrer@hotmail.com]

A obra "Olhos Azuis" prende o leitor por sua narrativa sem igual. Tive a impressão de que o autor transita entre realidade e ficção. No episódio que envolve a história da rebelião da Ilha Anchieta (Ubatuba, 1952) isto se torna mais claro pois muito da verdadeira história é narrada lá e uma pitada de ficção, bem superficial, é levada em conta, revelando a narrativa bem comum encontrada nos relatos ligados a este acontecimento. É importante salientar que, observando a origem humilde do autor, a proposta que ele traz ao narrar o fato vai de encontro à chamada "história oficial", esta cheia de lacunas e de parcialidade. Ao se dar voz aos presos, a história da rebelião renova-se e traz à geração atual, 60 anos depois, um convite à reflexão e a tarefa de recontá-la em nossos dias, quando os instrumentos de investigação são cada vez melhores e a vontade de se estar próximo à verdade nunca se fez tão urgente.

18/08/2009 22:04

ASSOCIAÇÃO PARA O RESGATE HISTÓRICO DA REBELIÃO

Há uma associação de resgate histórico da rebelião do presídio da Ilha Anchieta (1952), que reúne os sobreviventes, parentes e personagens que tiveram parte naquele acontecimento.

A propósito, Noclides narra com detalhes e crueza o desdobramento desse motim, aliás, desde seu planejamento, execução e desfecho. Contudo, não é apenas por isto que Jorge Araujo deu a apresentação que fez desse livro o título de “Fios desencapados”.

 

DOCUMENTÁRIO SOBRE MOTIM DA ILHA ANCHIETA

Pedro Graton está produzindo documentário sobre o episódio do motim da Ilha Anchieta Esse, ainda uma prévia, está em:

http://www.youtube.com/watch?v=y7ztFZZf6Js



Escrito por Agenor Gasparetto às 23h39
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POLÍTICA E PESQUISA 217

 

Notas sobre a Ibéria

O UOL, de 29/07/2009, traz matéria curiosa do diário espanhol EL PAÍS, de Fernando Peinado, sob o título Espanhóis rejeitam ideia de união ibérica; portugueses, nem tanto - El País, traduzida por Luiz Roberto Mendes Gonçalves. Aqui, essa matéria será reproduzida em seus principais pontos.

Portugal se constituiu como um reino autônomo da coroa de Castela, que comandou a unificação espanhola no final do século XV, ainda em 1143. A rigor, foi o primeiro Estado, no sentido moderno da palavra, a se firmar pós mundo medieval, o que deu a esse pequeno país grandes vantagens, como a liderança nas navegações e a construção de um imenso império, sendo o Brasil o seu principal trunfo. Na história dos últimos 500 anos, de 1580 a 1640, pela morte de D. Sebastião e vacância do trono, o rei da Espanha de então assumiu também o reino de Portugal. Essa união, motivada pelas circunstâncias, abriu caminho para a expansão das fronteiras do Brasil, via Entradas e Bandeiras. Contudo, a ideologia da junção dos dois países, iberismo, já motivara burgueses e intelectuais no século 19, mas não ganhou aderência histórica. Historicamente, Portugal alinhou-se mais a Inglaterra enquanto a Espanha, à França

Essas breves notas históricas são apenas para dizer que a pesquisa realizada pelo Barômetro de Opinião Hispano-Luso (Bohl), dirigido pelo Centro de Análises Sociais da Universidade de Salamanca, não é sem propósitos. Trata-se da primeira pesquisa no âmbito espanhol, embora o jornal português, Sol, tenha realizado também uma pesquisa em 2006 sobre a temática.

Recentemente, o prêmio Nobel de Literatura, José Saramago, insinuou a união das línguas portuguesa e espanhola. Já mencionamos, em inserção passada neste blog, que há quem prognostique que a Língua Portuguesa será uma língua em extinção daqui a três gerações. Mas vamos a alguns dados dessa pesquisa:

A pesquisa publicada mostra que 50% dos portugueses consideram que o ensino de espanhol deve ser obrigatório nos cursos primário e secundário, e esse percentual chega a 86,1% enquanto língua alternativa.  Já o inverso não entusiasma tanto, pois o ensino obrigatório do português nas escolas espanholas foi rejeitado por 76,2% dos espanhóis. (Fenômeno semelhante, mas com sinal contrário, tende a acontecer nas fronteiras do Brasil na América do Sul).

Há mais predisposição dos portugueses em relação a um aumento da cooperação política entre os dois países, como a criação de um sistema fiscal conjunto ou o fim total das restrições à mobilidade e ao assentamento de profissionais, trabalhadores e empresas, que receberam o apoio de 59% e 72% entre os portugueses e de 37,1% e 63,2% entre os espanhóis. Já a realização de eventos internacionais, como uma copa do mundo, em 2018, recebeu o apoio de aproximadamente 75% dos portugueses e de cerca de 50% dos espanhóis.

Já a ideia de uma união política entre os dois países é recorrente no debate português e praticamente ignorada no lado espanhol. A razão da predisposição portuguesa a uma união com a Espanha, numa federação, em pesquisa realizada pelo jornal Sol, em 2006, revela que é de matiz econômico, uma vez que 97% dos portugueses acreditam que Portugal se desenvolveria mais se se unisse à Espanha, embora 34,1% dos portugueses rejeitariam, mesmo assim, essa união. Unidos, a hipotética Ibéria, nome da península re-unificada, seria o quinto país mais populoso da Europa e seria também o quinto PIB, seguido por Alemanha, Reino Unido, França e Itália.

A relação entre os dois países, para os 876 ouvidos pela pesquisa, permaneceram iguais para 61% dos espanhóis e melhoraram para 63,9% dos portugueses. Observa-se que essas relações são avaliadas como boas ou muito boas.

 

HONDURAS: UM GOLPE TRATADO COMO DEVERIA SER TRATADO

A comunidade internacional não respaldou os golpistas hondurenhos. Nenhum país reconheceu o novo governo e os Estados Unidos, num sinal claro dos novos tempos, não respaldaram os golpistas, sequer autorizando-os a freqüentar os Estados Unidos. E os Estados Unidos não morrem de amores pelo presidente deposto, Manoel Zelaya, em função de sua aproximação a Hugo Chaves, da Venezuela. Contudo, nem por isso abriram mão de priorizar o respeito manifestado nas urnas. Bom sinal. Mau sinal são emitidos entre três países: Colômbia, Venezuela e Equador, em que Álvaro Uribe acusa os presidentes vizinhos, Hugo Chaves e Rafael Correia, de ligações com as FARCs.

 

NOÉ, DA ARCA, E PESQUISA DE MERCADO

Noé, figura bíblica responsável pela construção da Arca, que acabou levando seu nome, não tratou de construir sua arca quando a chuva começou. Quando essa chegou, a sua arca estava pronta e os animais sendo conduzidos, aos pares, nela. Nessa perspectiva, Noé foi previdente, planejou e estava preparado quando o desastre chegou. Noé não fez pesquisas de mercado. Teve acesso a uma informação privilegiada, de que haveria um dilúvio.

Hoje, informações privilegiadas, ainda que atalhos magníficos para o enriquecimento, vão contra a ética dos negócios e não passam de corrupção. Mesmo assim, nem tudo está perdido. Boas pesquisas de mercado podem proteger contra dilúvios econômicos e de outras ordens, subsidiando tomadores de decisão a que minimizem o erro e maximizem o acerto.



Escrito por Agenor Gasparetto às 11h44
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Política e Pesquisa  216

 

Nova GM

Na próxima quinta-feira, dia 9, poderá estar nascendo uma nova GM, denominada General Motors Company.

A nova GM contará com as marcas Chevrolet, Buick, Cadillac e GMC.

O capital da nova GM terá a seguinte composição:

  • Governo dos Estados Unidos: 60,8%, incorporando cerca de 50 bilhões de dólares na nova companhia;
  • Governo do Canadá: 11,7%, agregando pouco menos de 9 bilhões de dólares na companhia;
  • UAW-United Auto Workers, sindicato de trabalhadores: 17,5%, podendo ampliar posteriormente essa participação até 20%;
  • Credores da velha GM: 10%, podendo ampliar posteriormente essa participação até 25%.

O Governo norte-americano pretende sair da empresa no primeiro lançamento público de ações, que deverá ocorrer em 2010.

Seguramente, emergirá uma nova empresa dos escombros da que figurou por décadas como um dos maiores ícones do capitalismo mundial, hoje nos braços do Estado, ou, para ser exato, de Estados, mais sindicato de trabalhadores e credores da velha companhia. Começa a se desenhar o mundo pós-crise.

 

Honduras, velhas práticas em tempos novos

O presidente de Honduras, Manuel Zelaya, foi deposto por um golpe de estado no último dia 28 de junho. Os golpistas hondurenhos deixaram a Organização dos Estados Americanos em situação delicada. Representam também um teste também ao novo governo norte-americano, do presidente Barack Obama e da secretária de estado Hillary Clinton. Roberto Micheletti, veterano na política hondurenha, fez-se presidente sem votos. Oscar Arias, presidente da Costa Rica, é aceito como mediador entre as partes: presidente deposto sem apoio de seu partido e golpistas sob o comando de Micheletti. Enfim, voltamos a uma velha paisagem na América Latina, a dos golpes de estado como forma de conquista do poder. Contudo, os tempos parecem outros ou pelo menos deveriam ser outros. Parece importante que os demais estados das Américas não reconheçam o novo governo, por falta de legitimidade. A partir do momento em que governos passarem a reconhecer esse novo governo, a usurpação do poder estará recebendo alguma legitimidade. O mundo gira, mas parece voltar muitas vezes ao mesmo lugar.

 

Michael Jackson

Hoje, em Los Angeles, o mundo se despede de Michael Jackson. Morto, parece reconquistar seu lugar de ícone mundial. Morre às vésperas de uma tentativa de renascer através de seus shows. Morreu sob o peso imenso de seu espantoso sucesso nos anos 80 conjugado ao massacre da mídia insinuando assédio a menores, que o perseguiu como uma sombra persistente.

 

Crise no Senado Federal

A crise no Senado Federal descortina a prática política no país. Por essa Sarney não esperava. Tivesse do Amapá subido para a Guiana, em vez de comandar mais uma vez o Senado talvez estivesse mais feliz. A pergunta que talvez se faça: por que só eu e logo agora e apenas o Senado? O bom dessas coisas é que ajudam a ver a realidade como ela é e as sociedade vai ficando aos poucos mais exigente. Um lento, muito lento processo.

 



Escrito por Agenor Gasparetto às 17h31
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POLÍTICA E PESQUISA 215

 

BAHIA DE TODAS AS LETRAS: PRIMEIRAS NOTÍCIAS

  

A 4ª edição do concurso literário Bahia de Todas as Letras, realizado pelas editoras Via Litterarum e Editus, da UESC, com patrocínio para os primeiros colocados da Fundação Chaves, bateu recorde de inscrições. Ao todo, os inscritos somaram 135 autores.

 

A todos quantos nos honraram com a sua inscrição, as editoras agradecem confiança. Infelizmente, algumas inscrições, especialmente nas categorias poesia e crônica não poderão ser validadas, por inscreverem apenas um poema ou uma crônica quando o regulamento exigia três. Convidamos os que por ventura não se aperceberam deste detalhe do regulamento, que não esmoreçam e se inscrevam na próxima edição em que essas categorias abrirão inscrições, poesia, ainda neste ano, na 5ª edição, e crônica, num futuro, esperamos que não muito distante.

 

O gênero poesia continua liderando as inscrições (64), seguido pelo gênero conto (51). Contudo, foram fracas as inscrições nos gêneros crônica(11), cordel(sete) e, surpreendentemente, ensaio literário(dois). A surpresa corre por conta dos cursos de Letras e professores de literatura existentes na Bahia. Ou não estamos conseguindo motivar suficientemente os autores novos nessa categoria e/ou estamos cometendo falhas em nossa divulgação.

 

As cidades com mais inscritos são Itabuna, Salvador, Feira de Santana e Ilhéus. Esse fato também foi observado nas edições anteriores. Essas cidades representaram quase 47% dos inscritos, tomando como referência a cidade de nascimento e aproximadamente 70%, tomando como referência as cidades de residência dos novos autores. Itabuna lidera nas inscrições, tanto por cidade de residência quanto por cidade de nascimento.

 

Por cidades de nascimento do autor, Itabuna representou 17,8% das inscrições, seguida por Salvador com 14,1%, Feira de Santana com 8,1% e Ilhéus, 6,7%. Essas quatro cidades representaram 46,7% dos inscritos.

 

Por cidades de residência do autor, Itabuna representou 25,9% das inscrições, seguida por Salvador com 19,5%, Ilhéus com 17% e Feira de Santana com 8,1%.  Essas quatro cidades representaram 70,4% dos inscritos.



Escrito por Agenor Gasparetto às 15h22
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Política e Pesquisa 214

 

Bahia de Todas as Letras

As inscrições para a 4ª edição do concurso literário Bahia de Todas as Letras se encerraram no dia 30 de maio. Estamos aguardando às últimas inscrições chegarem via correios. Em breve serão informados os inscritos por categorias e por cidades.

 

AUTORES QUE POSSUÍAM LIVROS EXPOSTOS QUIOSQUE WALTER MOREIRA

A Via Litterarum devolveu o Quiosque Walter Moreira à Fundação FICC no início do mês de fevereiro. Em função da não re-abertura desse espaço para exposição e venda de obras literárias de autores desta região, estamos comunicando aos autores que tinham livros expostos nesse Quiosque que esses livros poderão ser retirados no Quiosque Espírita, também localizado nesta praça. Agradecemos pela compreensão.

 

Sobre a crise mundial

O freio da crise na economia brasileira, contrariando expectativas, como já dissemos, foi brusco. Muito mais do que imaginado. E chegamos ao segundo trimestre de 2009, em relação ao primeiro, patinando, quase marcando passo. Em relação ao mesmo período do ano passado, tivemos um tombo. Patinar parece ser alguma coisa quando outros estão regredindo. Sobra uma ponta de inveja para as taxas, apenas para as taxas de crescimento de China e Índia nestes tempos bicudos. Enquanto isso, a General Motor pede concordata levando mais algumas dezenas de bilhões de dólares de seu maior acionista, o Governo norte-americano, para segurar as pontas.

 

Lula e a crise

Até o momento, apesar da força da crise econômica, o governo Lula parece continuar imune. Sua popularidade continua em alta. Dilma, nome preferido à sua sucessão, encostou em José Serra, pelo menos na espontânea. Uma coisa é encostar numa situação de múltipla escolha, outra é num eventual segundo turno. E outra, mais relevante, situa-se no fato de que estamos há um ano e quatro meses antes da próxima eleição. Estamos em tempos de ficção eleitoral. De ficção também se vive.

 

Terceiro turno para Lula   

Um eventual terceiro turno para Lula não será bom nem para Lula e nem para o país e muito menos para o sistema democrático. O terceiro turno de Lula, sua nova oportunidade se assim o desejar, deverá acontecer nas eleições de 2014, por sinal, ano da Copa do Mundo em terras brasileiras, momento para lembrar e, quem sabe, não repetir 1950, quando até a hora do jogo éramos campeões, inclusive nos jornais, e após o jogo, o país amargou o bicampeonato uruguaio. Coisas deste maravilhoso esporte em que o pequeno pode, e por vezes, surpreende.



Escrito por Agenor Gasparetto às 14h22
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Política e Pesquisa 213

 

ADIAMENTO: O evento de lançamento da revista Primeiras & Melhores, especial dos 10 anos do prêmio mudou para dia 26, próxima terça-feira, às 19h. O evento será no auditório da Câmara dos Dirigentes Lojistas-CDL de Itabuna, entidade co-realizadora, juntamente com a Associação Comercial de Itabuna-ACI, do evento de premiação da versão itabunense do Top of Mind.

 

Crise mundial

Como afirmamos em outras oportunidades, essa crise será longa. Labora em equívoco quem imagina que será de curta duração. Será longa. É possível que nem tenhamos chegado ao fundo do poço, ainda que a fase de pânico, graças as intervenções dos bancos centrais e governos tenha passado. Passou o pânico, mas a conta da farra continua em aberto e precisa ser paga.

 

Bahia de Todas as Letras

As inscrições para o concurso literário Bahia de Todas as Letras continuam abertas até o dia 30 de maio. As editoras realizadoras tentarão concluir todas as etapas dentro deste ano, regularizando seu calendário, já que nas duas últimas edições isto não foi possível.

 

Fusão/compra: Sadia Perdigão

Depois da Brahma Antarctica,  do Itaú Unibanco entre outras fusões, chegou a vez da Sadia Perdigão, com denominação Brasil Foods-BRF. Surge um gigante na área de processamento de carnes. Trata-se de mais uma multinacional verde-amarela no mercado mundial. Fusões ou compras de grandes empresas geram um ganho de escala mas também revelam fragilidade.

 

O FASCÍNIO PELO OU VOCAÇÃO PARA A DITADURA

 

Apenas para ficar nas imediações, Menen na Argentina, Fujimori no Peru tentaram se perpetuar no poder, tentando criar espaço para novos mandatos. A história não lhes foi favorável.  Hugo Chaves na Venezuela também abriu caminho para a sua continuidade no poder. Agora, Álvaro Uribe, na Colômbia, através do Senado, aprova referendo para uma 2ª reeleição, em 2010, quando vence o presente mandato. A aprovação foi por 62 votos contra cinco, observando-se que o Partido Liberal e o Polo Democrático Alternativo, na oposição ao governo de Uribe, se retiraram da votação. Essa iniciativa deverá ser aprovada pelas comissões de conciliação, uma vez que Câmara dos Deputados aprovara a reeleição, mas não para o presente mandatário, mas para 2014. Superando essa etapa, a iniciativa passará para a Corte Constitucional, que terá seis meses para decisão. (Do UOL e  EFE) No Brasil, desde à reeleição de Lula há quem ventile essa idéia. A rigor, um equívoco. Um retrocesso na consolidação da democracia de regime presidencial. Quem quer se perpetuar, teria antes aprovar o sistema parlamentarista em que enquanto um líder dispuser de maioria, poderá se manter no poder como primeiro-ministro. Apenas para rememorar, nosso sistema é presidencialista.

 

 



Escrito por Agenor Gasparetto às 18h49
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