Política, Pesquisa, Literatura e Afins


Política e pesquisa - 39

 

 

Ônibus Itabuna-Salobrinho  

 

Hoje, 1º de novembro, os usuários de transporte de ônibus da linha Itabuna-Salobrinho, cuja concessionária é a empresa Rota, tiveram uma surpresa pouco simpática. A passagem passou de R$ 1,30 (menos de 15 km de percurso) para R$ 1,50 e o passe estudantil passou para 0,90 centavos. A passagem aumentou mais de três vezes a inflação provável do ano.  Difícil de acreditar nesse aumento, logo após as eleições, em final de governo, num período de inflação podendo ser inferior a 3%. A rigor, são os pequenos monopólios de que é feito o imperfeito mercado livre, no caso, de efetiva concorrência. 

 

 

Partidos e posicionamento de identidades partidárias - 1

 

Fizemos algumas observações sobre os partidos. É preocupante a diluição progressiva das fronteiras entre eles. Nesta eleição, a linha demarcatória ficou ainda menos nítida, se é que ainda é possível precisar a muito esmaecida linha de alguns partidos, em função de seus apoios. Elogiei Heloísa Helena e seu PSOL e Cristovam Buarque e seu PDT por terem lançado candidaturas próprias e critiquei o PPH de Roberto Freire por ter renunciado a ela e ter feito uma escolha, que confunde o eleitor sobre a natureza e identidade deste partido. A cisão do governador reeleito de Mato Grosso apoiando Lula, revela que aquela decisão não foi suficientemente amadurecida.  Por sua vez, Buarque, na véspera da eleição, revelando sua intenção de voto em Alckmin, tendo uma base dividida, perdeu, ao meu ver, a oportunidade de permanecer em silêncio, preservando partido, ainda que no plano individual cada um seguisse sua consciência.  Enquanto candidato a presidente, dirigente superior e expoente que é, Buarque creio que não ajudou neste particular, ainda que seja inquestionável sua escolha enquanto eleitor e cidadão.

 

 

Partidos e posicionamento de identidades partidárias - 2

 

Em tempo, o PFL percebeu que ser coadjuvante do PSDB não era e não foi uma boa estratégia, sobretudo nesta eleição em que a perspectiva de vitória da coligação sempre foi baixa. Lembra-se a meses se dizia que Alckmin teria sido escolhido para perder. O que é, sem dúvida, um desrespeito a Alckmin. Perdeu muito o partido com essa aliança nesta eleição. Abriu mão de importantes espaços para firmar sua identidade num quadro cada vez mais diluído ideológica e programaticamente. No país, há lugar relevante para um partido que se assuma efetivamente com postura de centro-direita ou mesmo de direita, mais conservadora e liberal, sem decair numa extrema-direita, todavia,.  É necessário ao quadro político-partidário. Há um vazio que precisa ser ocupado e o PFL, agora bastante fragilizado, pode ainda ocupar. Isto pode representar uma retomada do partido que vai ficando menor a cada eleição, em que o alinhamento em condições de subordinação ao PSDB tem parcela de contribuição.

 

 

Partidos e posicionamento de identidades partidárias - 3

 

O PT e o PSDB parecem querer ocupar o mesmo espaço programático e ideológico, apresentando-se ambos como sendo de centro-esquerda, ambos sociais-democratas, ainda que o PT talvez seja mais à esquerda e mais socializante, talvez estatizante, do que seu oponente. Será importante que esses partidos definam seu diferencial identitário. O PDT, o novíssimo em folha, primeiro de alguns filhos da Cláusula de Barreira, Partido Republicano, o PPS, o PSB, aos poucos, terão de construir sua identidade. Para encerrar, não poderia deixar de mencionar o PMDB, partido grande, sempre indefinido, parte governista e parte oposição, sofre de sua incapacidade de se posicionar claramente. Parte reluta e parte parece não resistir às tentações do poder. É o destino de partidos que não conseguem coesão interna, por falta de identidade, por falta de uma visão que ultrapasse o horizonte de uma eleição e por excessivo peso concedido a vaidades. Falta-lhe unidade, falta-lhe coesão.

Escrito por Agenor Gasparetto às 18h55
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Política e pesquisa - 38

 

Eleições nos Estados Unidos

 

No dia 7 de novembro, os Estados Unidos renovarão um terço do Senado, toda a Câmara dos Representantes ou dos Deputados e 36 dos 50 governos estaduais. O Congresso pode mudar de controle, passando dos republicanos para os democratas, tornando ainda mais difícil os dois últimos anos do governo de George W. Bush. Nessa mudança, pesam os efeitos da Guerra do Iraque.

 

 

Bush e Lula

 

Brincando, Bush elogiou vitória de Lula, “espetacular”, dizendo ainda que gostaria um pouco do know-how para poder ganhar. Creio que Bush não gostaria de receber toda a receita para o seu sucesso, já que Lula não tem disposição e nem pretende ocupar outros países. A rigor, se olharmos para as fontes dos conflitos que hoje vicejam no mundo, tornando-se crônicos e aparentemente insolúveis, a maioria, senão todos, resulta de duas situações peculiares: ou ocupação estrangeira e/ou não reconhecimento de anseios por autonomia de uma nação sem pátria. Neste ponto, a política externa brasileira, que Lula manteve, ao apostar na negociação e na solução pacífica dos problemas, até as últimas conseqüências, pode contribuir, pelo exemplo, para o mundo. Fazer política é a melhor alternativa ao uso das armas e custa, em sofrimento, vidas, recursos, infinitamente menos, ainda que a tentação, diante de adversários fracos e hostis, seja abandonar o diálogo e partir para o tacape. O negócio frente aos conflitos que se deseja efetivamente resolver é a política, como a arte de conciliar, buscar consensos, construir alternativas, não se deixar levar pela lógica destrutiva do ódio, do ressentimento, da morte. Essa pode ser a contribuição da diplomacia brasileira ao mundo, pelo exemplo, como se afirmou acima. 

 

 

Segundo Turno no Rio Grande do Sul

 

Como já afirmamos diversas vezes, o eleitor vota comparando, com uma mão apalpando o bolso e a outra, sentindo o coração. O gaúcho, abatido duplamente, por dois anos seguidos de estiagem e de frustração de safras, de um lado, e, por outro, com seus produtos de exportação agrícola depreciados pela política de câmbio, que apresenta um Real relativamente forte frente ao Dólar, acabou por assegurar a vitória de Yeda Crusius, apesar da subida de Olívio na reta de chegada, puxado pela onda Lula, que fez seu oponente encolher no Segundo Turno, evento praticamente impensável ao término do Primeiro.



Escrito por Agenor Gasparetto às 20h01
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Pesquisa e Política - 37

 

Da candidatura que encolheu

 

Na semana que antecedeu essa eleição de Segundo Turno, a Sócio Estatística (www.socio-estatistica.com.br) realizou na cidade de Itabuna (1195 entrevistados) pesquisa própria e nela perguntou em quem votou no Primeiro Turno e em quem votaria no Segundo Turno para Presidente da República.

O objetivo, conhecer comportamento do eleitor do Primeiro para o Segundo Turno.

Em Itabuna, como no Brasil, Alckmin perdeu eleitores (quase 2,5 milhões no país e, em Itabuna, cerca de 2 mil, o que equivale a menos 2 pontos, percentualmente falando, próximo à perda nacional, portanto). 

Na semana da eleição, Alckmin mantinha apenas 81,8% dos eleitores que tinham votado nele no Primeiro Turno. 8,4% desses migraram para Lula, 7,5% passaram à condição de indecisos e 2,3%, votariam nulo.

Lula, por sua vez, mantinha 93,1% de seus eleitores, 1,5% mudaram para Alckmin, 4,1% passaram à condição de indecisos e 1,3%, disseram que votariam nulo ou branco.

Em Itabuna, por uma conjunção estritamente local, os poucos votos dados à Cristovam Buarque passariam todos para Lula. Já os de Heloísa Helena, migrariam mais para Alckmin (40% contra 27% para Lula). Os poucos votos dados aos outros candidatos migrariam para Alckmin, em Itabuna.

Creio que com exceção da posição do PDT local pró-Lula, em grandes linhas, Itabuna refletiu o país. Em relação ao Primeiro Turno, Alckmin não perdeu apenas os quase 2,5 milhões de voto. Perdeu mais. O que salvou a situação de uma derrocada ainda pior foi o fato de que parte dos eleitores de Heloísa Helena, de Cristovam Buarque e das demais candidaturas efetivamente migraram para Alckmin. Não fosse isso, esse fenômeno inusitado, também repetido na candidatura pefelista de Pernambuco, por exemplo, seria ainda maior.   

Ainda que comentaristas, talvez baseando-se em enquetes da Internet) tenham afirmado que Alckmin teria vencido os debates, em minha opinião, a sorte de Alckmin foi lançada especialmente no primeiro dos quatro debates, o da Band, como afirmamos após a sua realização. Naquele debate, talvez acreditando no potencial representado pelo dossiê, que o levou ao Segundo Turno, mas que já apresentava sinais de fadiga por superexploração midiática e eleitoral, Alckmin realizou a proeza de se autodestruir enquanto imagem, apresentando um lado até então não conhecido e pouco amado pelo eleitor, a agressividade recorrente, sinais de arrogância, como fizemos menção após sua realização.  Obviamente, não se pode definir uma situação por uma circunstância, por um acidente, por um episódio. No entanto, esse momento foi crucial no encaminhamento do destino desta eleição. Alckmin, quando parecia que iria virar a disputa, por ter conseguido chegar ao Segundo Turno, conseguiu a proeza de encolher.

 

 

De novo Fernando Henrique Cardoso

 

O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso já freqüentou várias vezes esse blog, não que tenha querido, mas por ter entendido ser oportuno convidá-lo, para ilustrar e elucidar alguns pontos. Afirmamos que o ex-presidente revelou uma imensa vontade de participar, de influir nesta eleição, mas que a cada intervenção, contra sua vontade, acabou ajudando mais a Lula do que a seu candidato, pelas razões já expostas. Findo o processo eleitoral, continua se posicionando. Desta vez, colocando as coisas no seu devido lugar: quem venceu governa. Quem perdeu, passa a ser oposição, logicamente responsável. Aqui, Fernando Henrique consegue colocar a normalidade do regime democrático acima de quaisquer outros interesses. E isto é bom para o país.



Escrito por Agenor Gasparetto às 09h25
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Política e Pesquisa – 36

 

 

Fernando Gomes versus Geraldo Simões - 5

 

O Segundo Turno acabou e é preciso avaliar a nova queda de braços entre os dois líderes itabunenses. Geraldo Simões ampliou a pequena diferença obtida por Lula no Primeiro Turno, passando de 47% dos votos válidos para 58% enquanto que Alckmin caiu de pouco menos de 45% para 42%.  Afirmamos que Lula não apenas manteria a frente, como deveria ampliá-la. Contudo, não deveria chegar aos 60% dos votos válidos, ainda que não devesse ficar longe desse patamar. Alckmin, deveria considerar um bom resultado caso pudesse manter o percentual de votos válidos do Primeiro Turno e que isto, seguramente, seria um resultado bastante melhor do que a média que obteria na Bahia. Dado que Lula obteve aproximadamente 78% dos votos na Bahia contra cerca de 22% de Alckmin, Itabuna foi bastante generosa com essa candidatura. Essa é, hoje, a força de Fernando Gomes. Salvo fragmentação de sua oposição, não será suficiente para sua reeleição caso decida concorrer, se ela fosse hoje e não daqui a dois anos. Esta é a segunda derrota em um mês de Fernando Gomes para Geraldo Simões.

   

 

Segundo Turno Presidencial

 

O Segundo Turno, da perspectiva da legitimidade e de consolidação da imagem do presidente foi providencial. Lula ampliou em mais de 11 milhões o número de votos válidos em relação ao Primeiro, somando mais de 58 milhões de votos. Por sua vez, Alckmin perdeu mais de 2 milhões em relação ao que obteve no Primeiro Turno. Além de uma expressiva vitória eleitoral também se constitui em uma grande vitória política.

 

“Deixe o homem trabalhar”

 

Seguramente, exceto talvez Getúlio Vargas em certo período, nenhum presidente tenha conseguido tanta empatia com o povo quanto Lula. A expressão “deixe o homem trabalhar” resume, na perspectiva da população mais pobre, os sentimentos de parte expressiva da população.  Lula mereceu o segundo mandato. Caso queira fazer jus ao discurso pós-campanha: promover o desenvolvimento econômico, diminuir a desigualdade social e educação de qualidade terá que trabalhar e muito.

 

Brasil mais unido

 

Ao contrário do que mancheteou a revista Veja desta semana, o Brasil saiu mais unido desta disputa presidencial. Para 61% do eleitorado, Lula deve governar mais quatro anos. Para os outros, seguramente, reconhecem que cabe ao eleito o comando, cabendo a oposição, como já dissemos em outras inserções, o papel relevante da oposição, que assegura a saúde do regime democrático.

 

Boca de urna do Ibope

 

Os resultados da boca de urna do Ibope acertaram, considerando a margem de erro estipulada, nos estados do Rio de Janeiro, Pernambuco, Rio Grande do Sul, Pará e Santa Catarina, além do próprio país. Os resultados ficaram fora da margem de erro nos estados do Paraná e no Maranhão.



Escrito por Agenor Gasparetto às 00h01
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