Política, Pesquisa, Literatura e Afins


 

Política e Pesquisa 149

 

Feriado de Tiradentes, maior referência para os anseios de liberdade deste país. Dia de sol em Itabuna, ainda que tenha chovido na madrugada. Um belo dia para refletir e imprimir um ritmo mais leve á vida.  Nesse dia, apresento a idéia de um blog portador de um título promissor. Longa vida a essa idéia, portanto.

 

Blog: Diálogos para o futuro

O professor e escritor Jovino Moreira da Silva (jovino40@yahoo.com.br), lança novo blog, por sinal, muito sugestivo. Eis a concepção segundo o próprio Jovino:

“Estava organizando alguns livros quando me deparei com um que continha textos de vários autores e prefaciado por Roland Barthes com o título: “A Crise da Sociedade Contemporânea”. Trata-se de um livro dos anos 70 que reune diálogos entre vários filósofos, sociólogos, antropólogos.

Resolvi, então, escrever uma série de artigos que adotei por título Diálogos para o Futuro, nos quais pretendia iniciar uma conversação com autores de vários campos de conhecimento bem como convidar amigos e colegas para dialogarem comigo sobre temas de nossos interesses e do interesse de nossos leitores.

Assim, comecei a postar no meu Blog: http://jovinodash.blogspot.com o primeiro desses diálogos “convidando” Roland Barthes para conversar comigo sobre o seu prefácio para o livro citado. Após a postagem senti vontade de tratar deste tema separado daquele do outro Blog. Lá discuto idéias relacionadas com o Desenvolvimento Humano, considerando entre outros temas sobre Empreendedorismo, Cooperativismo, Sistemas Humanos, Teoria do Conhecimento, Liderança, Inteligência de Negócios (BI) e outros assuntos relacionados com administração, estratégia, prospectiva, etc. Por isso resolvi iniciar este Blog e espero que possamos aprender lendo e relendo os diversos artigos e livros que contribuam para esclarecer e melhorar nossa capacidade de leitura.

A próxima postagem irá tratar de um diálogo com Fritjof Capra a partir do seu livro “As Conexões Ocultas”. Vou concluir no outro Blog o diálogo com Françoise Chatelet e Gilles Lapouge, quando eles discutem o tema “A atualidade da utpoia”. Peço aos leitores visitarem aquele Blog caso desejem conhecer um pouco sobre a visão destes filósofos a respeito da Utopia e sua relação com os acontecimentos de “Maio 68″ na França.

Por que Diálogos para o Futuro? Bem. O que desejo com este trabalho é fazer com que possamos repensar o que desejamos para o nosso amanhã: o meu, o seu, o de nossas comunidades, e mais, o futuro de nosso Planeta. Vou dialogar para o futuro porque é lá que estaremos e lá que irá acontecer o que nós construimos hoje. Vamos discutir, agora, hoje, o que queremos para amanhã ou vamos cruzar nossos braços e ficar sentados esperando que aconteça qualquer coisa não importa mesmo o quê? Fico com a primeira parte desta questão e espero que você também fique para fazermos um bom trabalho para o… Futuro, Hoje.”

 

O blog original do professor Jovino (http://jovinodash.blogspot.com) centra-se em temáticas da administração, área de sua formação e atuação profissional. Boas opções de leitura para este feriado de Tiradentes e para incursões de tempos em tempos.

 

 

 



Escrito por Agenor Gasparetto às 11h28
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Política e Pesquisa 149

 

Feriado de Tiradentes, maior referência para os anseios de liberdade deste país. Dia de sol em Itabuna, ainda que tenha chovido na madrugada. Um belo dia para refletir e imprimir um ritmo mais leve á vida.  Nesse dia, apresento a idéia de um blog portador de um título promissor. Longa vida a essa idéia, portanto.

 

Blog: Diálogos para o futuro

O professor e escritor Jovino Moreira da Silva (jovino40@yahoo.com.br), lança novo blog, por sinal, muito sugestivo. Eis a concepção segundo o próprio Jovino:

“Estava organizando alguns livros quando me deparei com um que continha textos de vários autores e prefaciado por Roland Barthes com o título: “A Crise da Sociedade Contemporânea”. Trata-se de um livro dos anos 70 que reune diálogos entre vários filósofos, sociólogos, antropólogos.

Resolvi, então, escrever uma série de artigos que adotei por título Diálogos para o Futuro, nos quais pretendia iniciar uma conversação com autores de vários campos de conhecimento bem como convidar amigos e colegas para dialogarem comigo sobre temas de nossos interesses e do interesse de nossos leitores.

Assim, comecei a postar no meu Blog: http://jovinodash.blogspot.com o primeiro desses diálogos “convidando” Roland Barthes para conversar comigo sobre o seu prefácio para o livro citado. Após a postagem senti vontade de tratar deste tema separado daquele do outro Blog. Lá discuto idéias relacionadas com o Desenvolvimento Humano, considerando entre outros temas sobre Empreendedorismo, Cooperativismo, Sistemas Humanos, Teoria do Conhecimento, Liderança, Inteligência de Negócios (BI) e outros assuntos relacionados com administração, estratégia, prospectiva, etc. Por isso resolvi iniciar este Blog e espero que possamos aprender lendo e relendo os diversos artigos e livros que contribuam para esclarecer e melhorar nossa capacidade de leitura.

A próxima postagem irá tratar de um diálogo com Fritjof Capra a partir do seu livro “As Conexões Ocultas”. Vou concluir no outro Blog o diálogo com Françoise Chatelet e Gilles Lapouge, quando eles discutem o tema “A atualidade da utpoia”. Peço aos leitores visitarem aquele Blog caso desejem conhecer um pouco sobre a visão destes filósofos a respeito da Utopia e sua relação com os acontecimentos de “Maio 68″ na França.

Por que Diálogos para o Futuro? Bem. O que desejo com este trabalho é fazer com que possamos repensar o que desejamos para o nosso amanhã: o meu, o seu, o de nossas comunidades, e mais, o futuro de nosso Planeta. Vou dialogar para o futuro porque é lá que estaremos e lá que irá acontecer o que nós construimos hoje. Vamos discutir, agora, hoje, o que queremos para amanhã ou vamos cruzar nossos braços e ficar sentados esperando que aconteça qualquer coisa não importa mesmo o quê? Fico com a primeira parte desta questão e espero que você também fique para fazermos um bom trabalho para o… Futuro, Hoje.”

 

O blog original do professor Jovino (http://jovinodash.blogspot.com) centra-se em temáticas da administração, área de sua formação e atuação profissional. Boas opções de leitura para este feriado de Tiradentes e para incursões de tempos em tempos.

 

Paraguai:

No vizinho Paraguai, depois de 61 anos de poder, o Partido Colorado deverá conhecer a condição de oposição. O ex-bispo Fernando Lugo, como previram pesquisas, deverá ser o presidente eleito. Venceu Blanca Ovelar do Partido Colorado e o general Lino Oviedo. Lugo se elegeu pela Aliança Patriótica para a Mudança. Como em toda vitória eleitoral, euforia entre os eleitores e simpatizantes e esperanças de tempos melhores. Eleições tendem a ser vencidas com palavras sedutoras na mente e nos corações. Entre as temáticas desse “Pai dos Pobres” do Paraguai está a pretensão de revisar o tratado binacional de Itaipu, que deverá vigorar, sem alterações, até 2022, quando os empréstimos de sua construção terão sido pagos. Provavelmente, o Brasil não deverá ceder nessa questão e o contrato deverá ser honrado.

 



Escrito por Agenor Gasparetto às 11h26
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POLÍTICA E PESQUISA  148

 

Petróleo versus biocombustível

Durante inauguração de escritório da Embrapa em Acra, capital de Gana (matéria tratada há quase dois anos neste blog) Lula criticou taxação imposta sobre o etanol brasileiro por países desenvolvidos. Com razão, afirma Lula: "Eu não consigo entender, por que os países ricos não falam mal do preço do petróleo. Quanto implica, no custo do alimento, um barril de petróleo a US$ 103? Por que os países ricos sobretaxam o etanol brasileiro e não taxam o petróleo?" (Uol, 20 de abril de 2008). Acerta Lula quando afirma que não pode ser o etanol brasileiro o responsável pelo aumento dos preços dos produtos agrícolas no mercado internacional. A rigor, exceto pelo uso das melhores terras, com deslocamento de outros cultivos menos rentáveis para terras menos férteis, não procede a tentativa de colocar a cana-de-açúcar no papel de vilão. Como afirmou Lula em Gana, "não há contradição entre a busca de fontes alternativas de energia e o desenvolvimento de padrões agrícolas que garantam a segurança alimentar". Ecologicamente falando, é mais sensato a ONU taxar o petróleo do que o biocombustível que utiliza como matéria-prima a cana-de-açúcar. (Não é possível se dizer o mesmo do uso do milho, da soja e de outros grãos diretamente associados à alimentação humana e animal).

Por sua vez, na capital austríaca, Jean Ziegler, relator especial da ONU para o direito ao alimento, voltou a condenar a produção de biocombustíveis, afirmando ao jornal austríaco Kurier am Sonntag, entre outras coisas, que “o ocidente é culpado pela "fome em massa", devido ao crescimento dos biocombustíveis, à especulação no mercado de commodities e aos subsídios para exportação agrícola da União Européia” e que “os mercados de commodities estão trazendo "terror" ao mundo e que a inflação do preço dos alimentos é o equivalente a um "silencioso assassinato em massa" (UOL, 20 de abril de 2008).

Para entender as razões dessa recorrente crítica de Jean Ziegler aos biocombustíveis, tendo dificuldades para encontrar razões convincentes, creio que seja recomendável buscar apoio na ficção.

Em Hamlet, de Shakespeare, retomo algumas passagens, para entender porque nosso etanol, ecologicamente sustentável, recebe tantas e de tão variadas fontes críticas enquanto que o petróleo e outras fontes, não-renováveis e mais poluidoras não parecem suscitar semelhantes indignações:  

“Há mais coisas no céu e na terra, Horácio, do que pode sonhar tua filosofia.” (Hamlet para o soldado Horácio, seu amigo, p. 35, edição da Martin Claret).

Para Lula, reservo duas passagens dessa mesma obra:

A primeira, de Hamlet para os guardas:

“O mundo está fora dos eixos. Oh! Maldita sorte! ... Por que nasci para colocá-lo em ordem! “ ( idem, p. 35).

E a segunda, que deveria ser a primeira, é uma frase quase sempre utilizada de forma descontextualizada e frisando apenas o chavão, mas que parece oportuna para o momento, ainda que Lula não revele titubeios nessa sua missão em defesa de uma fonte de energia ecologicamente limpa e agora na iminência de ser colocada no banco dos réus da inflação dos preços dos alimentos no mundo e da decorrente fome, entre os mais pobres, que esse aumento deverá provocar mundo afora:

“Ser ou não ser, eis a questão! Que é mais nobre para alma; sofrer os dardos e setas de um destino cruel, ou pegar em armas contra um mar de calamidades para por-lhes fim, resistindo? Morrer... dormir; nada mais! E com o sono, dizem, terminamos o pesar do coração e os inúmeros naturais conflitos que constituem a herança da carne! Que fim poderia ser mais devotamente desejado? Morrer... Dormir!... Talvez sonhar! Sim, eis dificuldade. Porque é forçoso que nos detenhamos a considerar que sonhos possam sobrevir, durante o sono da morte, quando nos tenhamos libertado do torvelinho da vida. Aí está a reflexão que dá á desventura uma vida assim tão longa! (p. 56). ... É assim que a consciência nos transforma em covardes, é assim que o primitivo verdor de nossas resoluções se debilita na pálida sombra do pensamento e é assim que as empreitadas de maior alento e importância, com semelhantes reflexões, desviam seu curso e deixam de ter o nome de ação. Agora, silêncio!... (idem, p. 57).

Quem sabe a ficção shakesperiana nos ajude a entender a realidade que vivemos, ou será que o nosso universo real não passa de uma outra ficção? Seguramente, Lula independentemente de Shakespeare, deverá seguir em sua jornada.

 



Escrito por Agenor Gasparetto às 19h03
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