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POLÍTICA E PESQUISA 157 a
Em inserção anterior reproduzi texto Os anjos da política, do economista chileno, assessor do ex-presidente Salvador Alliende, de Carlos Matus. Hoje, seguirá documento de outubro de 2000 do papa João Paulo II, transformando Thomas Morus como o santo protetor dos políticos. Na falta de referencial ético para o exercício da arte e da ciência política eis uma sugestão.
O SANTO PROTETOR POLÍTICOS
CARTA APOSTÓLICA SOB FORMA DE MOTU PROPRIO PARA A PROCLAMAÇÃO DE S. TOMÁS MORO PATRONO DOS GOVERNANTES E DOS POLÍTICOS
JOÃO PAULO PP. II PARA PERPÉTUA MEMÓRIA.
1. Da vida e martírio de S. Tomás Moro emana uma mensagem que atravessa os séculos e fala aos homens de todos os tempos da dignidade inalienável da consciência, na qual, como recorda o Concílio Vaticano II, reside «o centro mais secreto e o santuário do homem, no qual se encontra a sós com Deus, cuja voz se faz ouvir na intimidade do seu ser» (Gaudium et spes, 16). Quando o homem e a mulher prestam ouvidos ao apelo da verdade, a consciência guia, com segurança, os seus atos para o bem. Precisamente por causa do testemunho que S. Tomás Moro deu, até ao derramamento do sangue, do primado da verdade sobre o poder, é que ele é venerado como exemplo imperecível de coerência moral. Mesmo fora da Igreja, sobretudo entre os que são chamados a guiar os destinos dos povos, a sua figura é vista como fonte de inspiração para uma política que visa como seu fim supremo o serviço da pessoa humana.
Recentemente, alguns Chefes de Estado e de Governo, numerosos dirigentes políticos, várias Conferências Episcopais e Bispos individualmente dirigiram-me petições a favor da proclamação de S. Tomás Moro como Patrono dos Governantes e dos Políticos. A instância goza da assinatura de personalidades de variada proveniência política, cultural e religiosa, fato esse que testemunha o vivo e generalizado interesse pelo pensamento e comportamento deste insigne Homem de governo.
2. Tomás Moro viveu uma carreira política extraordinária no seu País. Tendo nascido em Londres no ano 1478 de uma respeitável família, foi colocado, desde jovem, ao serviço do Arcebispo de Cantuária, João Morton, Chanceler do Reino. Continuou depois, em Oxford e Londres, os seus estudos de Direito, mas interessando-se também pelos vastos horizontes da cultura, da teologia e da literatura clássica. Dominava perfeitamente o grego e criou relações de intercâmbio e amizade com notáveis protagonistas da cultura do Renascimento, como Erasmo de Roterdã.
A sua sensibilidade religiosa levou-o a procurar a virtude através duma assídua prática ascética: cultivou relações de amizade com os franciscanos conventuais de Greenwich e demorou-se algum tempo na cartuxa de Londres, que são dois dos focos principais de fervor religioso do Reino. Sentindo a vocação para o matrimônio, a vida familiar e o empenho laical, casou-se em 1505 com Joana Colt, da qual teve quatro filhos. Tendo esta falecido em 1511, Tomás desposou em segundas núpcias Alice Middleton, já viúva com uma filha. Ao longo de toda a sua vida, foi um marido e pai afetuoso e fiel, cooperando intimamente na educação religiosa, moral e intelectual dos filhos. A sua casa acolhia genros, noras e netos, e permanecia aberta a muitos jovens amigos que andavam à procura da verdade ou da própria vocação. Além disso, na vida de família dava-se largo espaço à oração comum e à lectio divina, e também a sadias formas de recreação doméstica. Diariamente, Tomás participava na Missa na igreja paroquial, mas as austeras penitências que abraçava eram conhecidas apenas dos seus familiares mais íntimos.
Escrito por Agenor Gasparetto às 17h40
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POLÍTICA E PESQUISA 157 b
3. Em 1504, no reinado de Henrique VIII, foi eleito pela primeira vez para o Parlamento. O rei renovou-lhe o mandato em 1510 e constituiu-o ainda como representante da Coroa na Capital, abrindo-lhe uma carreira brilhante na Administração Pública. No decênio sucessivo, Henrique VIII várias vezes o enviou em missões diplomáticas e comerciais à Flandres e territórios da França atual. Constituído membro do Conselho da Coroa, juiz presidente dum tribunal importante, vice-tesoureiro e cavaleiro, tornou-se em 1523 porta-voz, ou seja presidente, da Câmara dos Comuns.
Estimado por todos pela sua integridade moral indefectível, argúcia de pensamento, caráter aberto e divertido, erudição extraordinária, foi nomeado pelo rei em 1529, num momento de crise política e econômica do País, Chanceler do Reino. Tomás Moro, o primeiro leigo a ocupar este cargo, enfrentou um período extremamente difícil, procurando servir o rei e o País. Fiel aos seus princípios, empenhou-se por promover a justiça e conter a danosa influência de quem buscava os próprios interesses à custa dos mais débeis. Em 1532, não querendo dar o próprio apoio ao plano de Henrique VIII que desejava assumir o controle da Igreja na Inglaterra, pediu a própria demissão. Retirou-se da vida pública, resignando-se a sofrer, com a sua família, a pobreza e o abandono de muitos que, na prova, se revelaram falsos amigos.
Constatando a firmeza irremovível com que ele recusava qualquer compromisso contra a própria consciência, o rei mandou prendê-lo, em 1534, na Torre de Londres, onde foi sujeito a várias formas de pressão psicológica. Mas Tomás Moro não se deixou vencer, recusando prestar o juramento que lhe fora pedido, porque comportaria a aceitação dum sistema político e eclesiástico que preparava o terreno para um despotismo incontrolável. Ao longo do processo que lhe moveram, pronunciou uma ardente apologia das suas convicções sobre a indissolubilidade do matrimônio, o respeito pelo patrimônio jurídico inspirado aos valores cristãos, a liberdade da Igreja face ao Estado. Condenado pelo Tribunal, foi decapitado.
Com o passar dos séculos, atenuou-se a discriminação contra a Igreja. Em 1850, foi reconstituída a hierarquia católica na Inglaterra. Deste modo, tornou-se possível abrir as causas de canonização de numerosos mártires. Juntamente com outros 53 mártires, entre os quais o Bispo João Fisher, Tomas Moro foi beatificado pelo Papa Leão XIII em 1886 e canonizado, com o citado Bispo, por Pio XI no ano 1935, quando se completava o quarto centenário do seu martírio.
4. Muitas são as razões em favor da proclamação de S. Tomás Moro como Patrono dos Governantes e dos Políticos. Entre elas, conta-se a necessidade que o mundo político e administrativo sente de modelos credíveis, que lhes mostrem o caminho da verdade num momento histórico em que se multiplicam árduos desafios e graves responsabilidades. Com efeito, existem, hoje, fenômenos econômicos intensamente inovadores que estão a modificar as estruturas sociais; além disso, as conquistas científicas no âmbito das biotecnologias tornam mais aguda a exigência de defender a vida humana em todas as suas expressões, enquanto as promessas duma nova sociedade, propostas com sucesso a uma opinião pública distraída, requerem com urgência decisões políticas claras a favor da família, dos jovens, dos anciãos e dos marginalizados.
Em tal contexto, muito pode ajudar o exemplo de S. Tomás Moro que se distinguiu pela sua constante fidelidade à Autoridade e às instituições legítimas, porque pretendia servir nelas, não o poder, mas o ideal supremo da justiça. A sua vida ensina-nos que o governo é, primariamente, um exercício de virtude. Forte e seguro nesta estrutura moral, o Estadista inglês pôs a sua atividade pública ao serviço da pessoa, sobretudo dos débeis ou pobres; regulou as controvérsias sociais com fino sentido de equidade; tutelou a família e defendeu-a com valoroso empenho; promoveu a educação integral da juventude. O seu profundo desdém pelas honras e riquezas, a humildade serena e jovial, o sensato conhecimento da natureza humana e da futilidade do sucesso, a segurança de juízo radicada na fé conferiram-lhe aquela confiança e fortaleza interior que o sustentou nas adversidades e frente à morte. A sua santidade refulgiu no martírio, mas foi preparada por uma vida inteira de trabalho, ao serviço de Deus e do próximo.
Aludindo a tais exemplos de perfeita harmonia entre fé e obras, escrevi, na Exortação apostólica pós-sinodal Christifideles laici, que «a unidade de vida dos fiéis leigos é de enorme importância, pois eles têm que se santificar na vida profissional e social normal. Assim, para que possam corresponder à sua vocação, os fiéis leigos devem olhar para as atividades da vida quotidiana como uma ocasião de união com Deus e de cumprimento da sua vontade, e também como serviço aos outros homens» (n.º 17).
Esta harmonia do natural com o sobrenatural é talvez o elemento que melhor define a personalidade do grande Estadista inglês: viveu a sua intensa vida pública com humildade simples, caracterizada pelo proverbial «bom humor» que sempre manteve, mesmo na iminência da morte.
Esta foi a meta a que o levou a sua paixão pela verdade. O homem não pode separar-se de Deus, nem a política da moral: eis a luz que iluminou a sua consciência. Como disse uma vez, «o homem é criatura de Deus, e por isso os direitos humanos têm a sua origem n'Ele, baseiam-se no desígnio da criação e entram no plano da Redenção. Poder-se-ia dizer, com uma expressão audaz, que os direitos do homem são também direitos de Deus» (Discurso, 07/04/1998).
É precisamente na defesa dos direitos da consciência que brilha com luz mais intensa o exemplo de Tomás Moro. Pode-se dizer que viveu de modo singular o valor de uma consciência moral que é «testemunho do próprio Deus, cuja voz e juízo penetram no íntimo do homem até às raízes da sua alma» (Carta enc. Veritatis splendor, 58), embora, no âmbito da ação contra os hereges, tenha sofrido dos limites da cultura de então.
O Concílio Ecumênico Vaticano II, na Constituição Gaudium et spes, observa que tem crescido, no mundo contemporâneo, «a consciência da eminente dignidade da pessoa humana, por ser superior a todas as coisas e os seus direitos e deveres serem universais e invioláveis» (n.º 26). A vida de S. Tomás Moro ilustra, com clareza, uma verdade fundamental da ética política. De fato, a defesa da liberdade da Igreja face a indevidas ingerências do Estado é simultaneamente uma defesa, em nome do primado da consciência, da liberdade da pessoa frente ao poder político. Está aqui o princípio basilar de qualquer ordem civil respeitadora da natureza do homem.
5. Espero, portanto, que a elevação da exímia figura de S. Tomás Moro a Patrono dos Governantes e dos Políticos possa contribuir para o bem da sociedade. Trata-se, aliás, de uma iniciativa em plena sintonia com o espírito do Grande Jubileu, que nos introduz no terceiro milênio cristão.
Assim, depois de maturada reflexão e acolhendo de bom grado os pedidos que me foram feitos, constituo e declaro S. Tomás Moro Patrono celeste dos Governantes e dos Políticos, concedendo que lhe sejam tributadas todas as honras e privilégios litúrgicos que competem, segundo o direito, aos Patronos de categorias de pessoas.
Bendito e glorificado seja Jesus Cristo, Redentor do homem, ontem, hoje e sempre.
Dado em Roma, junto de São Pedro, no dia 31 de Outubro de 2000, vigésimo terceiro ano de Pontificado.
IOANNES PAULUS PP. II
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Escrito por Agenor Gasparetto às 17h40
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POLÍTICA E PESQUISA 156
REGISTRO ELEITORAL DE PESQUISA
Nova pesquisa da empresa Sócio Estatística Pesquisas teve registro na Justiça Eleitoral, Comarca de Itabuna, na 27ª Zona Eleitoral, sob o número 002 de 2008
O objetivo principal desta pesquisa de opinião foi captar o quadro político-eleitoral em ITAPÉ. Foi realizada no dia 05 de julho de 2008. A amostra do tipo probabilística estratificada por idade, sexo e regiões da cidade. Corresponde a um erro amostral em torno de 5%. Ao todo, foram consideradas válidas as respostas de 399 cidadãos.
Lembramos que a melhor análise é a que leva em consideração não o dado isolado, mas o conjunto dos resultados, isto porque o dado isolado pode não passar de um acidente de amostra, não expressão de uma tendência. Uma leitura apressada ou superficial pode levar a uma compreensão equivocada da realidade expressada pela pesquisa, induzindo a equívocos de ação prática. Convém considerar, aqui, o caráter efêmero de toda pesquisa de opinião. Isto significa dizer que qualquer resultado pode sofrer mudanças no curso do tempo. Quanto maior a velocidade e consistência dos acontecimentos e medidas, maior também será a probabilidade disso ocorrer. No caso de uma eleição, em quadros não estabilizados, a velocidade aumenta à medida em que nos aproximamos do dia da eleição. Já em quadros estabilizados, em condições de normalidade e somente nessas condições, muitos meses antes já está desenhado o quadro que as urnas irão revelar. Aqui, o crucial é discernir entre a natureza das situações. Cabe ao sociólogo responsável pelas pesquisas apontar a natureza da situação.
Por fim, é importante não perder de vista que a pesquisa é uma ferramenta, um corte na realidade, em um determinado momento, ou como muitos preferem, é uma fotografia de um processo. A realidade continua; a pesquisa é um ponto fixo no tempo. O trabalho pode mudar a realidade e a opinião das pessoas. Isso significa que é preciso ter um senso crítico em relação ao papel e o lugar das pesquisas.
Em Itapé, as avaliação de Lula tende fortemente ao positivo: 82,4% de avaliação positiva contra 2,8% de avaliação negativa. O governo Wagner tem avaliação tendendo levemente ao positivo: 49,6% de avaliação positiva contra 8,8% de avaliação negativa. A avaliação do prefeito Pedrão tende fortemente ao positivo: 78,7% de avaliação positiva contra 6,3% de avaliação negativa.
Na pesquisa espontânea, os indecisos somam 23,3%, Dr. Humberto Matos teria 12,5% e Pedrão 63,7%. Outro: 0,5%. Na pesquisa estimulada, os indecisos somam 18,5%, Dr. Humberto Matos teria 13,5% e Pedrão 66,2%. Os nulos somam 1,8%. A rejeição de Dr. Humberto Matos é de 49,6% e de Pedrão, 11,5%.
Em Itapé, o quadro está bastante radicalizado, politicamente falando. Para 72,4% dos eleitores o voto está fechado, não mudará. Teoricamente, há ainda espaço para mudanças, mas reduzido.
Para finalizar, é importante lembrar que toda pesquisa é uma fotografia de um momento. O mundo das opiniões, em quadros não estabilizados, é como um céu de ventos e nuvens. Mudando o dia, poderá mudar o tempo. Um dia, céu de brigadeiro; noutro dia, chuvas e trovoadas. E a fotografia poderá mudar, já que a pesquisa também tem prazo de validade. Em quadros sociologicamente estáveis, urnas confirmam quadros detectados meses antes.
Registro: pesquisas eleitorais e apostas
Apostar é uma prática antiga, não apenas em rinhas de galos, em lutas de Box, em corridas de cavalos e em outras atividades “esportivas”. Nesses vastos e profundos interiores, há também apostas em quem vencerá uma eleição, sobretudo para prefeito, mais próxima e mais pertinente ao mundo desses apostadores. Há, aqui, uma triste e cruel diferença: enquanto alguns apostam confiantes frações de seu patrimônio com base em seus olhos e em seus ouvidos, outros, calculadamente, também se assessoram em pesquisas eleitorais. Em suma, ingenuidade e ignorância fazem mal ao bolso e ao coração de alguns e fazem brilhar a menina dos olhos de outros. Trágica realidade. A Justiça Eleitoral poderia lançar luz sobre esse submundo ou será que ao fazer esse alerta apenas o fomentaria produzindo efeito oposto?
Sabedoria à la Sancho Pança
“Pavio curto, vida curta”. Será?
Mais vale um “Deus te acompanhe” que muitos “que o diabo te carregue”.
Registro: dialeto nordestino?
Circula na Rede, um rol de termos genuinamente nordestinos ou nem tanto. Eis alguns:
Miúdo: pixotinho
Pequeno: cotoco
Franzino: xoxo
Bom: massa
Ruim: peba
Rir dos outros: mangar
Bobo: leso
Medroso: frouxo
Torto: tronxo
A pessoa vai sair: vou chegar
Dar a volta: arrodeio
Longe: fim do mundo
Dinheiro: bufunfa
Sem dinheiro: liso
Chicote: peia
Entrar sem licença: emburacar
Tem sorte: cagado
Sujeira no olho: remela
Gente insistente: pegajosa
Agonia: aperreio, gastura
Gases: bufa
Catinga de suor: inhaca
Triste: borocoxô
E então: iapois
Correr atrás de alguém: dar carreira
Passear: bater perna
Fofoca: pipoco
Travessura: presepada
Gente complicada: nó cego
Distraído: aluado
Confusão: rolo
...
Escrito por Agenor Gasparetto às 18h49
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