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Política e pesquisa 160
OMC e Livre Comércio no mundo
A Rodada de Doha, da OMC, terminou em fracasso. Perdeu a Organização Mundial do Comércio, melhor perdeu o princípio do livre comércio regulando as transações comerciais no mundo. O fracasso deveu-se às intransigências das partes. Os países desenvolvidos não puderam ou não quiseram abrir mão da proteção, via subsídios, de seus setores menos competitivos. Os países emergentes, por sua vez, também tentaram valorizar e se valorizar, não fazendo as concessões desejadas pelos desenvolvidos. Como resultante e como reflexo da crise que vem se agravando, apesar dos altos e baixos, o mundo ficará mais protecionista, menos globalizado, mais xenófobo. A Europa, berço das revoluções burguesas no limiar dos Séculos 18 e 19, na França, e da primeira revolução social, no início do Século 20, neste início de Século 21 inverte os sinais, num movimento de fechamento. Não aos imigrantes, muitos descendentes de seus emigrantes dos últimos séculos, sobretudo nos dois últimos. Bem, o mundo gira. Continua girando.
A escolha de um candidato
Já afirmei que eleições municipais tendem a ser definidas por fatores locais. Mais, o eleitor escolhe comparando. O governo em curso tende a funcionar como um filtro no seguinte sentido: o eleitor escolhe um candidato vendo as alternativas à disposição através da administração em curso. Se essa for avaliada positivamente, a escolha tende a se orientar na sua perspectiva; se for avaliada negativamente, tende a se orientar para uma candidatura que melhor capitalizar o sentimento de oposição. Obviamente, ainda que essa seja a regra, já observei avaliações com 60, 70 e até 90% de avaliação positiva (exclusivamente conceitos ótimo e bom) e não fazer sucessor. Quando isso aconteceu, a oposição estava personificada num ex-prefeito bem avaliado.
Voto útil
O voto útil é, de alguma forma, a realização da parábola bíblica dos talentos: a quem tem muito, mais se lhe dará; o que tem pouco, perderá o pouco que acha que tem. É um mecanismo cruel para os que não polarizarem uma disputa. Conseguir um lugar na polarização, já que eleições tendem a polarização, pode fazer muita diferença. Não conseguir é correr sério risco de ser sacrificado no altar do pragmatismo do eleitor, que se realiza no voto útil e, em contextos em que o letramento democrático ou eleitoral é precário, também pode se realizar no voto ganhador, na comum expressão “para não perder o voto”. Aqui, voto certo, voto bem dado é aquele em que o “sujeito” acerta quem se sairá vencedor nas urnas.
Política e vinho
A matemática política, manifesta nas alianças, pode converter virtuais vencedores em perdedores. Há junções que subtraem, derrubam, assim como há outras que multiplicam. Não conseguir interpretar as sinergias positivas e negativas de uma aliança, sempre complexas, tanto pode atalhar para o pódio como pode por tudo a perder. A propósito, misturar dois vinhos (um novo e um velho, ou um bom e outro azedado) resulta necessariamente num bom ou melhor vinho?
O problema do deus Mercado
Dias recuados expus uma definição de mercado. Hoje, exporei seu pecado capital. Onde não há dinheiro, não há mercado. E as pessoas precisam viver e sobreviver. E aí entra o Estado e a Sociedade com suas múltiplas estratégias e mecanismos.
Política em Itabuna
A democracia eleitoral apresenta situações que lembram o reino animal. São as manifestações antes do confronto aberto. Imagine dois galos de briga. Antes do engalfinhamento, tentam intimar o oponente das mais diversas formas, ostentando seus recursos e poderes. Na campanha eleitoral são muitas essas situações. Dentre elas, destacam-se as carreatas, passeatas e outras demonstrações de força (ou de fraqueza). Uma ação bem-sucedida (aparentemente) exige uma contra com a obrigação de superá-la. E enquanto ela não acontecer, a ansiedade, a tensão, tende a subir muito e a tirar o sono. Em Itabuna, até o momento, duas foram as ações mais ousadas. A primeira, uma carreata peso pesado, focada em caminhões e maquinaria, como tratores, retroescavadeiras etc. Passou pelo centro e percorreu bairros. A segunda, bastante ousada pelos riscos envolvidos, foi a passeata da candidata Juçara na Avenida Cinqüentenário, palco principal da vida política em Itabuna, sábado, dia 26 de julho, dois dias antes do aniversário de Itabuna. Por sinal, seguramente o mais franciscano dos últimos 25 anos da cidade.
Escrito por Agenor Gasparetto às 10h43
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Política, Pesquisa e Literatura - 159
Nesta inserção, em mais um novo final de semana, reproduzo texto do poeta e ensaísta Gustavo Felicíssimo sobre a obra Os becos do homem, do escritor Jorge de Souza Araujo. Obra reeditada pela Via Litterarum. Boa leitura.
OS BECOS DE JORGE ARAÚJO
Por Gustavo Felicíssimo - www.sopadepoesia.zip.net
A arte, como profetizou Antonin Artaud, “não é a reflexão da vida, mas a vida é a reflexão de um princípio transcendente com o qual a arte nos volta a por em contato”.
Em alguns poetas, o espírito rebelde os identifica sempre com as forças libertárias, não canônicas, e estão em profunda sintonia com o que nos disse Artaud, como um Maiakovski, por exemplo. E esta força poderosa, como um turbilhão de energias, assolará eternamente a opressão onde quer que ela esteja. Dessa energia é composto o livro Os Becos do Homem, de Jorge Araújo, “uma experiência de poesia existencialista, de discussão do humano numa situação de confronto na sociedade contemporânea”, afirma o autor.
Jorge Araújo (1947) é baiano de Baixa Grande e Ilheense por adoção. Mestre e Doutor em Literatura Brasileira pela UFRJ é ensaísta premiado diversas vezes. Os Becos do Homem e Auto do Descobrimento: o romanceiro de vagas descobertas (1997) foram adotados nos vestibulares da UESC e UESB, respectivamente. Jorge publicou muitos outros livros, entre eles Profecias morenas: discurso do eu e da pátria em Antônio Vieira (1999), Essa esquina e dilacerada fauna: contos (2002), Pegadas na areia: a obra de Anchieta em suas relações (2003), Dionísio & Cia. Na moqueca de dendê: desejo, revolução e prazer na obra de Jorge Amado (2003), Letra, leitor, leituras: reflexões (2006) e Floração de Imaginários: O romance baiano no século 20 (2008).
Em Os Becos do Homem, seu livro de estréia na poesia, Jorge Araújo transita pelas redondilhas, pelo haicai, pelo verso livre e pela metapoesia. Esse livro foi gestado durante todo um período de ditadura no Brasil (desde o início dos anos 1970) e publicado em 1982, onde o poeta nos oferece uma poesia densa, reflexiva, engajada, “pois se funda em duas direções políticas, a da inutilidade de certa ordem e a da incapacidade dos homens dessa ordem”, como afirma Antônio Houaiss no prefácio do livro.
Jorge Araújo lapidou seu estilo lendo Ferreira Gullar, Drummond, Bandeira, Jorge de Lima, Baudelaire, Rimbaud, Verlaine e por isso possui um dos instrumentos essenciais para o poeta na modernidade: dizer densamente aquilo que pretende trafegando pelo indizível, mas sabendo sempre o que dizer, como no poema Acalanto: (...) Os sentimentos do homem/ os seres do homem/ os pesares do homem/ lançaram-se no abismo/ do consumo das coisas/ fora de sua alma// O que o homem hoje diz/ não corresponde ao eco/ de sua destinação// (...) Só uma eiva salva o homem hoje/ da condenação de si a si mesmo/ porque Herodes de seu menino/ avatar de sua história// Ao homem só resta reencontrar-se/ nas retinas do mundo.
Fulgurante, seu verso é valioso, quase inesgotável, e convida o leitor a voltar inúmeras vezes, pois é feita de inquietação a sua poesia; poesia que consegue estabelecer uma ligação orgânica de suas vivências e crenças pessoais com os anseios coletivos de grande complexidade. Por isso não se pode pensá-la como destinada a ser lida apenas em silêncio. Os poemas de Os Becos do Homem foram feitos para serem ditos em voz alta, nas praças, a plenos pulmões, para que todos possam conhecer uma obra que vai fundo no sentimento humano, pois como diz José Maurício Gomes de Almeida num artigo publicado no jornal O GLOBO, em Outubro de 1982, a poesia de Jorge Araújo “assume integralmente esta marca suja da vida”. Acompanhemos o poema Presságio: Tempo haverá em que o medo/ será artigo de quinta categoria/ nas prateleiras do esquecimento// Então nos despediremos/ da exatamência deste vil/ relógio do tempo/ a que nos vendemos hoje// e cruzaremos fartos de coragens/ a fronteira doida do imenso vale/ de nossa solidão/ no exercício enfim da liberdade. O poema retrata a ânsia do autor à espera de um tempo em que os grilhões da ditadura seriam quebrados, pois o Jorge Araújo socialista e humanista não tinha, naquele tempo, grandes motivos para se animar com os rumos da abertura política no país, pois quase todos os fatos corroboravam para a crença de que muita água ainda passaria sob aquela ponte antes da tão almejada democracia. Essa veio a acontecer em Janeiro de 1985 com a eleição de Tancredo Neves, quase três anos depois de a obra vir a público.
Era um tempo de ânsia e de expectativa retratado no poema Leitura de Jornal: Inquieto-me hoje/ assim como ontem/ e amanhã de igual forma/ por essa multidão de sombras nos assuntos/ dos jornais/ essa procissão de sonhos nos assuntos/ dos jornais/ sem pouso nem porto certo// E se me arruíno e me intimido/ e se me dou violenta surra moral/ devo estourar os miolos/ jogar-me da ponte sobre o mar/ antes de virar a folha/ dos assuntos dos jornais?// De mal a mal/ na última página do primeiro caderno/ dos assuntos dos jornais/ desta terça-feira dia tal do ano tal/ encontro algumas alternativas (enfim!)/ o flamengo tem tudo para sagrar-se/ campeão das nossas sempiternas esperanças.
Lá se vão 23 anos do fim da ditadura e Os Becos do Homem não perde o frescor, pois se durante o tempo em que tal obra foi escrita, o poeta tinha, além das questões existencialistas, um inimigo em particular, declarado, hoje ele está em toda parte, porém oculto; domina o capital, os grandes conglomerados empresariais e a informação, manipulando-a de acordo com as suas conveniências.
Mas o poeta não é apenas um escritor engajado, ele pensa a própria poesia a partir dos instrumentos que possui e assim questiona a sua condição ontológica em um espaço que privilegia cada vez mais o valor utilitário das coisas. Por isso escolhemos o metapoema Querido Lavoisier para rematar com chave de ouro o presente ensaio: Já em poesia/ nada se transforma/ tudo se cria// o nada transforma/ o tudo em cria// na forma do poema/ tudo há e nada havia// (no sobre/ tudo se lia/ no sabre nada se via)// mas transformar a poesia/ - é tudo e nada, sabia?// Poesia de nada servia?/ Poesia em tudo, seria?// Formas de tudo sorvia/ Transe do nada sumia// - Lavoisier, sem folia/ a poesia, noite e dia/ seduz a melancolia.
Escrito por Agenor Gasparetto às 19h37
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Política e pesquisa 158
Definição de mercado
"Se há uma boca e algum dinheiro com ela, há um mercado", Tsai Eng-meng, empresário de Twain, referindo aos 1,3 bilhão de chineses e a disposição do mundo inteiro fazer negócios com a China. (Der Spiegel, 26/07/2008, no artigo “Um nova era pacífica: Pequim e Taiwan experimentam reaproximação”, de Sandra Schulz, reproduzido pelo UOL).
Política e religião
Política e religião são dimensões historicamente muito próximas. Em algumas épocas e em algumas sociedades, ainda hoje estão estreitamente ligadas, literalmente. No país, a proclamação da República separou, em 1889, Estado e Religião. O Século 20 foi, seguramente, o século da história da Humanidade menos religioso ou mais laico, foi um século de duas grandes guerras e a maior matança da história não apenas de guerreiros ou militares, mas de civis. Foi nesse século que as guerras passaram a destruir cidades e infra-estruturas e passaram a matar mulheres, crianças e quem quer que tivesse a má sorte de estar no alvo de uma bomba lançada por uma avião ou na mira de um disparo qualquer. Há quem diga que nesse século a ideologia, especialmente a polarização comunismo versus capitalismo, se configurou quase que como uma nova religião, em que Estado e Mercado foram elencados ao primeiro plano do altar, no novo culto. Contudo, esse preâmbulo está posto aqui para ressaltar, pelo contraste, o que segue: político e pastor, pelo domínio da palavra e pelo objetivo de persuadir e cativar, são sujeitos muito próximos. (Isso lembra frase de um amigo: “perigoso é quem diz a palavra certa na hora certa”). Se, você que me acompanha neste espaço, prestar atenção aos discursos proferidos por postulantes a prefeito em nossas cidades perceberá essa proximidade. Seguramente, após as eleições, alguns políticos poderiam ocupar facilmente uma tribuna religiosa, caso não sejam ungidos pelas urnas. Dado que padres e pastores estão mais dispostos a ocupar posições no mundo da política, o caminho inverso também parece legítimo. A campanha poderia ser tomada como uma preparação. A ideologia messiânica e salvacionista estará bem trabalhada na mente e nos corações.
Moto e liberdade
Moto e liberdade são realidades associadas pela mídia e fazem a cabeça de muitos jovens há várias gerações. Trágica e tristemente, a realidade parece agregar uma nova palavra a essas duas: Além. A divulgação de estatísticas, seguramente, revelaria que a moto é a via em que muitos jovens atalham para o Além, encerrando o sonho de liberdade, abandonando a moto no asfalto duro e áspero.
Lei seca no trânsito e atendimento via telefoneNecessária, precisa ser internalizada, para valer. Por que demorou tanto? Outra regulamentação que demorou é a do atendimento, muita música, repetição a exaustão dos mesmos dados, multiplicação de atendentes até que no final se sobreviver, a ligação cai e recomeça a odisséia. Até que enfim.
Escrito por Agenor Gasparetto às 12h20
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