| |
Política e Pesquisa 207 Sociólogo, escritor e professor Gey Espinheira-1 Gey Espinheira, sociólogo, escritor e professor da Universidade Federal da Bahia, aos 62 anos de vida, faleceu, no último dia 17. Nasceu na pequena Poções, cidade da região de Vitória da Conquista. Deixou-nos. Será lembrado também por sua atuação nas áreas de direitos humanos, violência, cidadania e educação. Deixou-nos. Na perspectiva do mundo das letras, gostaríamos de dizer (pois creio que esse também é o pensamento da professora Maria Luiza Nora, Baísa, da da Editus, editora da Uesc, que será lembrado pelo seu romance, revelado pelo concurso literário Bahia de Todas as Letras, segunda edição, uma vez que sua obra foi a classificada em primeiro lugar pela comissão de avaliadores do concurso na categoria romance. Por ocasião dessa premiação, que não pode comparecer, tive a oportunidade de trocar algumas breves palavras, por telefone e por email com Gey Espinheira, nome pelo qual fez questão que seu nome fosse estampado no livro contendo sua obra. Passou serenidade mesmo informando estar travando luta contra doença que o vitimou. Sociólogo, escritor e professor Gey Espinheira-2 Reproduzo, aqui, o que escrevi em 29 de setembro de 2007 (inserção neste blog número 97) sobre O RELÓGIO DA TORRE, seu livro revelado por nosso concurso literário, destinado a autores novos nas diferentes categorias literárias. “Li, por curiosidade, e reli por necessidade de revisão final, o romance O RELÓGIO DA TORRE, de Gey Espinheira, vencedor da categoria romance do concurso literário Bahia de Todas as Letras. A propósito desse romance, trouxe-me à lembrança outros dois. Os três têm em comum um mesmo pano de fundo, mas tendo como referências geográficas um pouco diferentes, um a cidade de Itagimirim e o Vale do Rio Jequitinhonha, de Carlos Kahê, e seu livro Sangue na rua das flores. O outro, Amendoeiras de Outono, de Adylson Machado, esse editado por nós, e que tem como referência principal, Itororó, região de pecuária e de transição entre a mata quente e úmida do cacau e a região mais seca, palco do romance de Espinheira. Creio que o período e processo histórico é praticamente o mesmo nas três obras. Parecem crônicas de recônditos de alguma província no Sul e Sudoeste da Bahia. Nesse sentido, compõem um conjunto. No entanto, ainda que elas tenham muitos elementos em comum e têm, ganham feições singulares no que tange aos enredos, aos cenários, aos personagens. As discussões filosóficas de cada obra são diversas, sem dúvida. A dimensão erótica é forte nos três, mas na obra de Espinheira ganha maior relevo. A dimensão anedótica ou humorística é mais presente em Espinheira e em Kahê. Ganha dimensões de tragicidade em Machado. A edição está bonita e o leitor será o grande ganhador, apreciando essa obra.” Para nós foi uma honra ter tido a oportunidade de publicar esse autor, já consagrado na área sociológica, mas inédito como romancista e que o Bahia de Todas as Letras coube o privilégio de revelar aos leitores desta Bahia e além dela, muito além, apenas para sinalizar que há um Além onde acreditamos, de alguma forma, enfim, poder celebrar a vida o que nem sempre somos grandes o suficiente para dar a devida importância e prioridade. A AIG e a crise mundial Um deputado republicano, diante dos generosos e surpreendentes bônus, reveladores do grau de compromisso dos executivos com a real situação da empresa, classificou a AIG como Arrogância, Incompetência e Ganância. Quando tantos sacrifícios vem sendo cobrados impiedosamente pela crise, o episódio dos bônus, em que pese a pseudo legalidade de que se revestem, tem o sabor de deboche. E Barack Obama, através do secretário do tesouro, que nada fez, acaba ou começa a ter sua credibilidade corroída. É melhor Obama encontrar outro secretário, menos cúmplice com a toxidade dessa crise. Mais um trilhão de dólares, 300 bilhões para compra de títulos de longo prazo, são jogados pelos EUA para aplacar o furor desse incêndio. Contudo, dado o caráter revelado no episódio da AIG e seus bônus, que deve ser apenas a ponta do iceberg, já que parece ser isso sistêmico e cultural, o preço a ser cobrado deverá ser maior. Neste ponto, Gorbachev, último presidente da URSS, tem razão quando aponta a necessidade de uma glassnot no sistema financeiro internacional, pois parece faltar transparência nesse opaco sistema. Vagalume ou vaga-lume ? Já escrevi várias vezes sobre a reforma ortográfica da Língua Portuguesa, inicialmente classificando-a como tímida (inserção neste blog 94 e retomada em mais detalhes na 117, especialmente). Pessoalmente, não tenho problemas em seguir as novas regras. Contudo, volto a dizer: foram pequenas as reformas. No curso do tempo, creio que os burocratas da língua foram bastante longe na instituição de regras e exceções à língua escrita, afastando-a do alcance do cidadão comum, exigindo dele a condição de quase iniciado nas regras da língua escrita. Como é possível explicar que línguas tão próximas como o português e o espanhol tenham encontrado soluções tão diferentes para se expressarem, como no caso do hífen, por exemplo? Ele não existe no espanhol e no português é quase impossível que um não iniciado saiba seu emprego sem recorrer a um manual. Hoje está sendo publicado o Novo Vocabulário da Língua Portuguesa. Apesar das simplificações dessa mini-reforma da grafia de nossa língua, o cipoal de regras e exceções é imenso. É difícil não se ver enredado em algum hífen, por exemplo. A propósito, como escrever o nome mais comum do pirilampo: vaga-lume ou vagalume?
Escrito por Agenor Gasparetto às 11h22
[]
[envie esta mensagem]
[link]
|
|