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Política e Pesquisa 224 Rio de Janeiro-1 Nas últimas semanas, o Rio de Janeiro revelou ao mundo suas duas facetas, o melhor e o pior. A alegria contagiante da conquista da condição de cidade olímpica, uma publicidade incomparável e somente possível graças a uma olimpíada, e a barbárie representada pelo submundo do crime e das drogas e a brutalização que lhe é inerente. Esse é o Rio de Janeiro, de múltiplas faces. Esse é o Brasil com suas desigualdades. O Rio de Janeiro da Copa do Mundo de 2014 e das Olimpíadas de 2016 tem diante de si um imenso desafio, humanizar suas mais de mil favelas, quem sabe, aproximando-as, como falou o presidente no calor da conquista da indicação como cidade-sede da Olimpíada de 2016, em bairros. Rio de Janeiro-2 O problema é que o Rio de Janeiro não é apenas uma cidade. O Rio de Janeiro é uma miniaturização do Brasil. E a América Latina, em especial o México, e os Estados Unidos, com seu apetite consumista de drogas, exigem que se repense esse problema bem além da repressão. Cada vez mais, parece que somos obrigados a conviver com barbarismos crescentes com o mundo novo aberto pelas novas tecnologias. Um mundo em que aumentam cercas e estratégias individuais de segurança, na ilusão de que ainda é possível uma efetiva proteção. Prêmio Nobel da Paz Bush inaugurou a Guerra Preventiva. A comissão que escolhe os vencedores do prêmio Nobel da Paz concedeu esse prêmio não tanto pelo que Barack Obama conseguiu realizar (e já realizou algumas coisas importantes, como à renúncia ao escudo na Europa Oriental que deixava a Rússia em sentimento de ameaça, ainda que os Estados Unidos alegassem Irã e Coréia do Norte, trazendo à lembrando a fábula do lobo e do carneiro, mas sem convencer o urso, conferiu aos Estados Unidos uma postura mais cooperativa e menos unilateral, que não é pouca coisa). Contudo, Barack Obama recebe um prêmio que deixa a muitos surpresos, ele próprio provavelmente. Recebe um prêmio em meio a um processo de retirada de tropas no Iraque e um aumento delas no Afeganistão, em uma guerra difícil de vencer, uma vez que mais do que ser contra um grupo, é contra uma identidade cultural representada por esse grupo. Seguramente, a incorporação à política do Talibã parecia mais promissora do que seu enfrentamento e tentativa de aniquilação. A menos que consiga deslegitimar essa identidade, americanos e outros estrangeiros serão sempre vistos como corpos estranhos nesse perdido lugar do mundo, encravado entre cordilheiras. O Nobel da Paz é, definitivamente, uma premiação política. Honduras Enquanto isso, na pequena Honduras, prossegue se arrastando uma situação atípica. Um governo golpista se recusando a devolver o poder a quem foi legitimamente eleito. Esse processo arrasta-se, ainda que prossigam as negociações. É possível que as eleições previstas encontrem o país nesse impasse. Sairá Micheleti e entrará um governo eleito em circunstâncias não normais. Então, estará criada uma nova situação, uma vez que paira a ameaça do seu não reconhecimento pelos integrantes da OEA.
Escrito por Agenor Gasparetto às 10h32
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